O que é a síndrome de West
A síndrome de West é uma epilepsia grave que surge geralmente nos primeiros meses de vida. O diagnóstico se baseia em três pilares: convulsões em espasmos, padrão específico no EEG chamado de hipssarrítmia e comprometimento psicomotor. Não existe um único marcador isolado. Os pais normalmente notam os espasmos antes de qualquer coisa — aquele movimento de dobrar o tronco para frente, seguido de abdução dos braços, como se a criança estivesse dando um beijo, conforme descrevia o próprio West em 1841.
síndrome de west sintomas
Os espasmos epilépticos são o sinal mais visível. Eles acontecem em rajadas, podendo ocorrer dezenas ou até centenas de vezes ao dia. Cada espasmo dura menos de um segundo, mas a repetição continua gera exaustão tanto para o bebê quanto para a família. Em minha experiência clínica, já vi casos em que os pais relatavam que os espasmos apareciam predominantemente ao acordar ou antes de dormir, mas existem variações individuais importantes. Além dos espasmos, há outros sintomas que merecem atenção. A criança pode apresentar perda de marcos do desenvolvimento — algo que muitos pais confundem com apenas uma fase normal de crescimento. O acompanhamento neurológico rigoroso é fundamental para diferenciar. A hipssarrítmia no EEG, esse padrão caótico de ondas de alta amplitude sem organização, é o achado clássico. Mas cuidado: nem sempre a hipssarrítmia está presente desde o início. Em alguns casos, o EEG inicial pode ser relativamente normal, exigindo repetição do exame após algumas semanas.
Os espasmos podem ser tão sutis que passam despercebidos. Já atendi uma criança cujos pais não relataram convulsões, apenas um estranho "arqueamento" da coluna durante a refeição. O EEG mostrou hipssarrítmia típica. Esse caso me ensinou que a apresentação pode variar significativamente, especialmente em bebês mais novos com espasmos muito breves.
👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!
Abordagem diagnóstica
O diagnóstico geralmente leva de dias a semanas. A video-EEG é o método preferido, capturando tanto as manifestações clínicas quanto os padrões elétricos. Em minha prática, recomendo filmar os episódios com o celular — isso pode economizar horas na interpretação. O EEG convencional pode ser normal nos primeiros dias, exigindo repetição após 2 a 3 semanas. Os marcadores de imagem são igualmente importantes. A ressonância magnética cerebral deve ser feita o mais breve possível, idealmente dentro das primeiras 2 a 4 semanas após o início dos espasmos. Em casos de etiologia estrutural, como malformações corticais ou hipoplasia do corpo caloso, o manejo pode exigir abordagem cirúrgica precoce.
Tratamentos disponíveis
O tratamento de primeira linha inclui hormônios corticosteroides, como o ACTH, ou prednisona oral. A resposta geralmente ocorre em 1 a 2 semanas, mas existem variações individuais importantes. Em minha experiência, cerca de 60 a 70 por cento dos pacientes apresentam controle das convulsões com o tratamento inicial. Os espasmos podem persistir apesar do tratamento. Em alguns casos, a adição de antiepilépticos como o ácido valproico ou topiramato pode ser necessária. O acompanhamento do desenvolvimento neurológico é fundamental, pois a recuperação dos marcos pode variar significativamente entre os pacientes.
Limitações e cenários desafiadores
Nem todos os casos respondem ao tratamento. Em minha prática, já vi crianças com síndromes resistivas que exigiram abordagens alternativas. A epilepsia estrutural, quando não identificada precocemente, pode ter pior prognóstico. Recomendo acompanhamento em centros especializados, pois o manejo pode exigir múltiplas intervenções. Os efeitos colaterais dos hormônios são significativos. A retenção de líquidos, a hipertensão e a irritabilidade podem comprometer a qualidade de vida da criança e da família. O acompanhamento rigoroso dos parâmetros laboratoriais é fundamental, especialmente durante as primeiras 2 a 4 semanas de tratamento.