Como resolver situação problema adição e subtração
Achei estranho quando vi essa dúvida na minha lista de transmissão dos alunos no ano passado. Um monte de gente travando em situação problema adição e subtração, como se fosse algo muito mais complicado do que realmente é. Vou explicar direto, sem enrolação.
O básico que todo mundo já sabe mas esquece
Adição é juntar. Subtração é tirar. Ponto. O problema é que as situações-problema não falam assim. Elas vestem outras roupas. Falam de dinheiro, de people, de tempo, de comida, de viagem. E aí o aluno lê e não consegue traduzir para a operação certa. Eu trabalho com isso há mais de uma década. Já vi o mesmo erro acontecendo com crianças de quinta série até jovens do ensino médio. A dificuldade não é calcular, é entender o que a questão pede.
Como eu ensinei meu sobrinho a resolver
Meu sobrinho tinha oito anos e travava completamente. Eu fiz ele ler o problema em voz alta três vezes antes de tentar qualquer conta. Não era mágica, era processo. Primeira leitura: ele entendia a história. Segunda leitura: ele identificava os números. Terceira leitura: ele falava o que precisava descobrir. Isso parece simples demais, mas funciona. A maioria dos erros vem de ler depressa e tentar resolver sem entender o contexto. Quando ele parava e verbalizava o que estava acontecendo na história, a operação certa aparecia sozinha.
Casos que deram errado
Tem um problema clássico que aparece todo ano nos materiais didáticos. Uma pessoa tem setenta e cinco reais, gasta trinta e dois e depois ganha quinze. A maioria dos alunos erra porque não prestam atenção na ordem dos fatos. Eles somam trinta e dois com quinze primeiro e subtraem de setenta e cinco. O resultado dá errado porque a ordem dos eventos importa. Outro caso que eu enfrento na prática são problemas com informações sobrando. O enunciado fala da idade da mãe, do número de irmãos, da cor do cabelo e pede só a diferença entre dois valores. O aluno tenta usar tudo que leu. Eu ensino a selecionar: o que eu preciso saber para responder exatamente o que a pergunta pede.
Dica que ninguém conta
Antes de escrever a conta, o aluno deve escrever uma frase em português dizendo o que vai fazer. "Vou juntar o que eu tinha com o que ganhei." Ou "Vou tirar o que eu gastei do que eu tinha." Essa frase é o caminho entre a história e a operação. Sem ela, o aluno está chutando. Eu vi esse método funcionar melhor do que qualquer fórmula decorada. A criança que consegue traduzir a situação para uma frase em português quase nunca erra a operação. Porque ela entendeu, não porque memorizou.
👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!
Erros comuns em situação problema adição e subtração
O erro mais frequente é confundir os sinais. O aluno vê "mais" no texto e já marca adição, mas às vezes o "mais" está falando de uma quantidade adicional que será retirada depois. A palavra não define a operação, o contexto é que define. O segundo erro é ignorar unidades. Tem problema que fala de metros e centímetros misturados, ou de reais e centavos. O aluno faz a conta direto e chega num resultado que não faz sentido no contexto. Reorganizar as unidades antes de calcular resolve a maior parte desses casos.
Um terceiro erro que eu vejo todo dia é o aluno parar na primeira operação que encontra. Quando o problema pede duas etapas, ele resolve só uma e entrega. É preciso ler até o final para entender quantas contas realmente são necessárias.
Quando o problema é mais complicado
Às vezes a situação-problema esconde uma subtração dentro de uma adição, ou vice-versa. Tipo: você tinha uma certa quantia, gastou parte, e agora precisa saber quanto falta para completar o valor original. Isso parece uma subtração, mas na verdade é uma adição com uma incógnita. O aluno precisa perceber que está procurando uma parte desconhecida, não o resultado final. Eu costumo desenhar essas situações em vez de explicar só com palavras. Um desenho simples de barras ou setas resolve o problema da abstração. A criança vê visualmente que falta uma parte e entende que precisa adicionar para completar.
Praticar com problemas reais
Material didático é bom, mas problema do dia a dia é melhor. Pergunte ao aluno quanto falta para completar o valor de uma compra, quanto tempo falta para chegar em algum lugar, quantos anos alguém vai ter daqui a dois anos. Situacão problema adição e subtração perde o medo quando vira coisa do cotidiano. Eu comecei a usar isso com meus alunos e a taxa de erro caiu de setenta porcento para menos de vinte em duas semanas. Não foi porque eles ficaram mais inteligentes, foi porque pararam de ver o problema como um bicho de sete cabeças.
O caminho é ler, traduzir para uma frase, identificar os números relevantes, escolher a operação e verificar se o resultado faz sentido no contexto. Se o aluno gastou cento e cinquenta reais de uma carteira com cem reais, algo tá errado. A verificação final elimina a maioria dos erros bobos.
Resumindo o que funciona
Três passos que eu recomendo: ler o problema três vezes, escrever uma frase em português sobre o que está acontecendo e fazer o cálculo só depois. Qualquer atalho nessa ordem é onde mora o erro. A maior parte das crianças que eu atendo que melhora rápido é aquela que começa a respeitar esse ritmo. Não existe formula mágica. Existe processo. E processo se constrói com prática constante, não com decoreba.