Tabela De Hidrocarbonetos - Como Incluir Tabela Nomenclatura Omd
Como Incluir Tabela Nomenclatura Omd

O que é uma tabela de hidrocarbonetos

Um químico ou engenheiro de processos usa uma tabela de hidrocarbonetos todo dia para converter massa em volume, calcular vazão em tubulações, dimensionar compressores e bombas, ou simplesmente passar de kg/h para m³/h em condições normais de temperatura e pressão (CNTP). A gente chama isso de tabela de conversão de hidrocarbonetos, ou tabela de hidrocarbonetos, e ela resume em poucas linhas o que seria um monte de equações de estado repetidas. A estrutura básica é sempre a mesma: nome do composto, fórmula molecular, massa molar, densidade em líquido a 15°C, evolume molar a CNTP. Algumas tabelas trazem ainda poder crítico, temperatura crítica, constante gasosa específica e fator Z. O resto é cálculo. Você pega a massa molar, aplica a lei dos gases ideais, e chega no volume molar. Mas esse é só o começo.

Os valores tabelados vêm de medições ou de correlações como o método de Lee-Kesler, AGA-8, ou GERG-2008 para misturas. Para compostos puros, a tabela de hidrocarbonetos costuma ser confiável até cerca de 10 bar de pressão e temperatura ambiente. Acima disso, ou quando há gás natural com N, CO e HS, a coisa muda. O erro passa a depender da pureza, da pressão e do tamanho da molécula. Metano a 100 bar já tem fator de compressibilidade em torno de 0,92. Propano no mesmo ponto, 0,68. A diferença não é pequena.

Como usar a tabela de hidrocarbonetos na prática

Eu já vi engenheiro calcular uma linha de etano a 45 bar usando densidade de líquido a 15°C como se fosse gás a 25°C. A conversa travou no meio do dimensionamento. O problema real é saber quando a tabela de hidrocarbonetos se aplica e quando você precisa meter uma equação de estado na fita. Vou mostrar o caminho que funciona na maioria das vezes, e depois falo do ponto que costuma dar errado.

Passo 1 — Identifique o composto e a condição operacional

Abra a tabela de hidrocarbonetos e procure o nome exato. Cuidado com sinônimos. Metano é CH. Etileno é CH, não CH. Propano é CH. Isobutano também é CH, mas tem densidade diferente de n-butano. Confundir isômeros é o erro mais frequente em tabelas simplificadas, e o impacto pode passar de 3% em cálculos de volume molar.

Passo 2 — Pegue a massa molar e a densidade de referência

A massa molar é fixa. Metano: 16,04 g/mol. Etano: 30,07. Propano: 44,10. Butano: 58,12. A densidade de referência geralmente está em kg/m³ a 15°C. Quando a tabela traz apenas a densidade relativa (graus API), use: Densidade a 15°C = 141,5 / (131,5 + °API)

Essa é a conversão padrão da API MPMS. Vale para líquidos. Para gases, a densidade a 15°C nem sempre é relevante. O mais útil é o volume molar a CNTP, que é 22,414 L/mol para gás ideal. O real depende do fator Z.

Passo 3 — Calcule o volume molar corrigido

Se você está lidando com gás natural ou hidrocarbonetos leves em condições moderadas, use: Vm = Z × R × T / P

Onde R = 8,314 J/(mol·K). Para metano a 25°C e 1 atm, Z 0,998. O volume molar real é 22,45 L/mol, muito perto do ideal. Para propano nas mesmas condições, Z 0,95. O volume cai para 21,3 L/mol. A tabela de hidrocarbonetos costuma reportar esses valores corrigidos quando é confiável. Quando não reporta, você precisa estimar Z.

Passo 4 — Converta massa para volume

A regra prática é simples: Volume (m³) = Massa (kg) / Densidade (kg/m³)

Para gases: Volume (m³) = Massa (kg) × Z × R × T / (P × MM)

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MM é a massa molar em kg/mol. P em Pa. T em K. O resultado sai em m³. Se a pressão está em barg,converta para Pa absolutos somando 101 325 Pa. Se a temperatura está em °C, some 273,15.

Passo 5 — Para misturas, use a regra de Kay

Misturas de hidrocarbonetos exigem pseudopropriedades. A regra de Kay calcula temperatura e pressão críticas aparentes a partir das frações molares. Depois, usa-se o gráfico de Nelson-Obert ou uma correlação comoStanding-Katz para obter Z. O procedimento leva cerca de 10 minutos à mão, ou 2 minutos num Excel bem montado. Para gás natural completo, o método AGA-8 é mais preciso, mas exige software. O Gerg-2008 é ainda melhor para altas pressões, acima de 35 bar.

Erros comuns ao usar a tabela de hidrocarbonetos

O primeiro erro é usar densidade de líquido para calcular volume de gás. O segundo é trocar graus API por kg/m³ sem corrigir a temperatura. O terceiro é aplicar a lei dos gases ideais em pressões acima de 20 bar sem verificar o fator Z. O quarto, que acontece com frequência, é usar a tabela de hidrocarbonetos para condições fora da faixa tabulada. Metanol, por exemplo, não entra nessa categoria. É um álcool, não um hidrocarboneto. A tabela não se aplica. Outro problema recorrente é a confusão entre n-butano e isobutano. A massa molar é a mesma, 58,12 g/mol. A densidade do n-butano a 15°C é 601 kg/m³. A do isobutano é 593 kg/m³. A diferença parece pequena, mas em cálculos de nível de tanque e vazão mássica, ela se acumula. Em uma planta que processa 50 t/dia de C4, o erro de densidade pode gerar uma diferença de 0,7 m³ no volume calculado. Não é trivial.

Um caso real que eu enfrentei

Em 2019, precisei dimensionar uma linha de transporte de propano comercial a 18 bar e 40°C. A tabela de hidrocarbonetos que tínhamos no banco de dados interno listava propano a 15°C. A densidade era 507 kg/m³. Eu calculei a vazão mássica a partir do volume horário e cheguei em 12,4 t/h. Quando levei o dimensionamento para revisão, o engenheiro de processos apontou que a densidade a 40°C e 18 bar era cerca de 430 kg/m³, não 507. O erro era de 18%. A linha estava subdimensionada. A solução foi simples, mas demorou para achar. Usei o fator de compressibilidade do propano a 40°C e 18 bar, obtido do gráfico de Standing-Katz. Z 0,62. Recalculei o volume molar: Vm = 0,62 × 8,314 × 313,15 / 1 800 000 = 0,896 L/mol. A massa molar do propano é 44,10 g/mol. A densidade resultante foi 49,2 kg/m³. O volume horário correto era 252 m³, não 217 m³. A linha precisava de 1¼ polegadas a mais de diâmetro interno. O custo extra foi pequeno perto do risco de ter uma queda de pressão crítica em operação.

Limitações da tabela de hidrocarbonetos

A tabela de hidrocarbonetos é excelente para gases puros em baixa e média pressão. Não é boa para: — Misturas complexas: gás natural com componentes pesados, HS e CO. A tabela simplificada ignora interações moleculares entre espécies diferentes.

Condições supercríticas: acima da temperatura crítica do composto, não existe fase líquida definível. A densidade cai drasticamente e a tabela perde o sentido. — Hidrocarbonetos clorados e fluorados: PCE, tricoloreto de etilo, HFC-134a não são hidrocarbonetos. As tabelas não se aplicam.

Altas pressões: acima de 50 bar, o erro da lei dos gases ideais ultrapassa 15% para a maioria dos C3+. O uso de equações de estado torna-se obrigatório. Quando a tabela de hidrocarbonetos falha, a alternativa mais prática é o pacote Peng-Robinson em software como Aspen HYSYS, PRO/II, ou mesmo uma planilha com solver numérico. Para quem não tem acesso a esses programas, o método de Lydersen-Greenhawth oferece uma estimativa rápida de Z para hidrocarbonetos puros com erro típico de 5 a 8%. Não substitui medição, mas evita o erro grosseiro.

Resumo rápido para consulta

Massa molar (g/mol): Metano: 16,04 | Etano: 30,07 | Propano: 44,10 | n-Butano: 58,12 | i-Butano: 58,12 | n-Pentano: 72,15 | Hexano: 86,18 | Heptano: 100,21 | Octano: 114,23

Densidade a 15°C (kg/m³): Metano (líq.): 422 | Etano (líq.): 546 | Propano (líq.): 507 | n-Butano (líq.): 601 | i-Butano (líq.): 593

Volume molar a CNTP (L/mol): Metano: 22,45 | Etano: 22,42 | Propano: 22,38 | n-Butano: 22,34

Esses valores assumem Z 1. Para condições reais, aplique o fator Z correspondente. A tabela de hidrocarbonetos é um ponto de partida, não uma resposta final. O cuidado na escolha das condições e na verificação do regime de fluxo é o que separa um cálculo confiável de um erro caro.