Tempos Modernos e por que ainda discutimos isso
A versão restaurada de tempos modernos de charles chaplin que circula hoje na internet é uma bagunça. Tem cópias em 4K que parecem vídeo-vigilância, outras que têm granulação de granel demais, e ainda tem aquela versão blu-ray da Criterion que quase ninguém consegue abrir sem dor de cabeça por causa de region code. O filme em si é tranquilo de entender: Charlie dirige, estrela e produz em 1936, época em que o cinema já tinha som mas ele teimava em fazer mímica. A questão é conseguir rodar o arquivo certo no seu setup. Vou partir do pressuposto de que você quer assistir com qualidade decente, não só baixar qualquer coisa do YouTube. Isso muda tudo no processo.
O que você precisa saber antes de procurar tempos modernos de charles chaplin
O filme tem duração de cerca de 87 minutos. Duração curta, ok. O problema real é a faixa de áudio. Chaplin gravou uma trilha sonora original e efeitos sonoros, mas não queria que o personagemfalasse. Então o audio é essencialmente sincronizado, não dublado. Isso significa que se você pegar uma versão com narração falada (algumas edições piratas incluem isso), está assistindo a uma versão cortada e modificada que não tem nada a ver com a intenção original. Uma coisa que muita gente erra: não confunda o filme de 1936 com a refilmagem ou com documentários sobre ele. Tem várias produções secundárias com o mesmo nome Genérico. O original tem o Charlot como operário de fábrica, a cena da máquina de alimentAÇÃO, e o final famoso com ele andando de bicicleta com a mulher. Se o que você encontrou não tem essas cenas, não é o filme certo.
Como obter uma cópia que valha a pena assistir
Avia três caminhos principais hoje em dia. O primeiro é o blu-ray da Criterion Collection, lançamento de 2012 com restauro feito pela Cineteca di Bologna. É a referência. O segundo são arquivos MKV de fãs que tiraramrip do disco e subiram em fóruns especializados. O terceiro é streaming, mas aí você entra na zona cinzenta de qualidade de compressão. Eu já passei por isso na prática. Tentava rodar uma versão em MKV que achava que era a restaurada, mas o arquivo vinha com telecine intercalado, ou seja, campo entrelaçado de 60i injetado em um material que era originalmente 24fps. O resultado era aquele tremido estranho nos movimentos do Charlot, especialmente nas cenas de ação da fábrica. O que eu fiz foi passar o arquivo pelo TVDeinterlace com modo Yadif no ffmpeg, aplicar um sharpen suave e depois reencodar para H.264 em ~8 Mbps. O tempo de processamento foi de cerca de 40 minutos numa máquina média. Valeu a pena porque a imagem ficou muito mais legível do que o arquivo original entrelaçado.
Se você não quer mexer com ffmpeg, existe o programa MPC-HC junto com o codec madVR. A configuração é mais amigável para quem não vive em terminal. Basta instalar, apontar para o arquivo, e deixar o madVR fazer o desentrelaçamento automático. Não é perfeito, mas salva a maioria dos casos.
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Dicas práticas que ninguém conta
Aqui vão coisas que eu aprendi depois de assistir o filme umas cinco vezes em formatos diferentes: Sobre a faixa de áudio: A versão stereo original é importante, mas tem edições que transformam tudo em mono. Se o seu sistema surround está ativo e a versão que você pegou é mono, o filme parece oco. Desative o upmix e ouça em stereo puro ou até em um único alto-falante central. A mixagem original foi feita para som estéreo, mas com uma ideia de panorama muito mais limitada do que os filmes modernos.
Sobre legendas: A maioria das legendas em português que você acha na internet é feita por fãs e tem erros de tradução grotescos. A cena da máquina de alimentação tem legendas que traduzem "feed" como "alimentar" no sentido literal, quando o contexto é mecânico. Procure legendas de releases conhecidos como ChaplinRestored ou os que vêm embutidos no release da Criterion. Evite legendas soltas de sites genéricos. Sobre o aspecto ratio: O filme foi fotografado em 1.37:1, o formato Academy standard da época. Versões widescreen que circulamsão cortes ou esticamentos. Se você ver something que parece 16:9 ou mais amplo, provavelmente não é a versão original. Mantenha o formato quadrado clássico.
Alternativas se o não for viável
Se você não tem player de blu-ray e não quer investir nisso, a melhor alternativa atual é o serviço de streaming da Amazon Prime Video ou o Google Play Movies, que oferecem o filme em resolução HD com a faixa de áudio remasterizada. A qualidade não é a mesma do blu-ray Criterion, mas é significativamente superior a qualquer stream de YouTube ou site de streaming genérico. O arquivo costuma vir em ~1080p com compressão razoável, algo em torno de 4 a 6 Mbps de vídeo puro. Tem também a opção de alugar pelo Apple TV, que costuma ter uma transferência limpa. Eu testei essa opção quando estava viajando e o arquivo era bem mais limpo do que versões que achei online. Vale o preço do aluguel se você quer ver uma vez só sem dor de cabeça.
O que não funcionou para mim
Eu já tentei usar a versão que a Netflix tinha disponível em algum período. A compressão H.265 era agressiva demais, especialmente nas cenas escuras da fábrica. Os pretos viravam cinza chumbo e os detalhes do rosto do Charlot desapareciam. Não recomendo essa via se a sua preocupação é qualidade de imagem. Também tentei uma cópia em AVI de um fórum antigo. Arquivo de 700 MB para um filme de 87 minutos. Isso é risível. A taxa de bits era algo em torno de 700 kbps, o que transforma praticamente tudo em borrão. Descartei na hora.
O ponto é que tempos modernos de charles chaplin é um filme que se beneficia imensamente de uma exibição cuidada. Não é um documentário técnico onde a qualidade da imagem é secundária. As expressões faciais, a coreografia dos movimentos, a iluminação expressionista dos cenários — tudo isso depende de você conseguir ver o que foi captado na câmera. Uma versão mal codificada mata metade da experiência. Se você estiver começando agora e quiser apenas dar uma olhada, vá de Prime Video ou Google Play. Se quiser se aprofundar e ter a melhor versão possível, parti diretamente para o blu-ray Criterion. O resto é perda de tempo.