Teste De Timed Up And Go - Instrumented Timed Up and Go Test (iTUG)—More Than Assessing Time to ...
Instrumented Timed Up and Go Test (iTUG)—More Than Assessing Time to ...

O que é o teste e por que todo mundo usa

O teste de timed up and go, também conhecido como TUG, é basicamente um cronômetro e uma cadeira. Você pede para a pessoa levantar, caminhar três metros, virar, voltar e sentar. O tempo total é o resultado. Levanta de cinco a sete segundos em idosos saudáveis é considerado normal. Entre oito e doze, já indica risco moderado de quedas. Acima de doze segundos, o sinal de alerta fica grande demais pra ignorar. A simplicidade dele é o que o mantém vivo há décadas. Não precisa de equipamento caro, não exige treinamento longo, e ainda assim prediz quedas melhor que muitos testes complexos que custam fortunas. Foi desenvolvido originalmente por Podsiadlo e Richardson em 1991, e desde então virou padrão em clínicas geriátricas, fisioterapias e avaliações funcionais por aí.

Como fazer o teste de timed up and go na prática

Eu sempre comecei explicando o procedimento pra pessoa antes de pedir pra ela executar. Tem quem leve a coisa tão a sério que corre os três metros como se estivesse numa olimpíada. O resultado fica distorcido e não reflete a mobilidade real do paciente no dia a dia. O protocolo padrão pede uma cadeira com assento a aproximadamente quarenta e cinco centímetros do chão, com braços. A linha de partida é marcada no chão, e a linha de chegada fica exatamente três metros adiante. Um objeto, geralmente uma xícara d'água, é colocado no assento pra incentivar o alcance do tronco durante o levantamento. A pessoa calça o que costuma usar no cotidiano, evita meias apenas se o piso for escorregadio. O cronômetro começa quando ela ouve o comando "vá" e para quando as nádegas tocam o assento na volta.

Três tentativas são realizadas, e a média dos dois melhores tempos é registrada. Isso elimina o efeito de aprendizado da primeira execução sem descartar dados úteis. Demora cerca de cinco a oito minutos por paciente, incluindo instruções e pausa entre as tentativas. Um problema que eu encontrei quase todo mês nos primeiros anos de prática foi com pacientes que tinham artrose no joelho. Eles levantavam devagar, mas caminhavam rápido. O resultado final ficava nos quatro ou cinco segundos, simulando uma mobilidade boa que simplesmente não existia nas atividades reais. A solução foi adicionar um parâmetro qualitativo: eu anotava separadamente a qualidade da marcha, a presença de dor ao subir e descer, e o uso ou não de auxílio na volta. O TUG sozinho não conta essa história. Quando combinei o tempo com a escala de funcionalidade do paciente, a predição de queda ficou muito mais precisa. Anotar também se a pessoa atravessou a linha dos três metros antes de completar a volta completa evitou resultados inflados por quem fazia o percurso em zigue-zague.

Pegadinhas que ninguém alerta

O piso faz diferença. Um piso liso de cerâmica comum pode reduzir o tempo em até um segundo comparado a um piso carpete ou irregular. Se você está acompanhando a evolução de um paciente ao longo de meses, garanta que o teste seja executado sempre no mesmo tipo de superfície. Variação de piso é uma das causas mais comuns de resultados conflitantes em acompanhamento longitudinal. A tarefa dupla é outro detalhe importante. O protocolo original não inclui dividir a atenção, mas estudos posteriores mostraram que pedir pra pessoa contar regressivamente de setenta em dez enquanto caminha aumenta significativamente o tempo e revela déficits cognitivos que o TUG simples não capta. Esse variant chamado TUG-cog é útil quando o objetivo é rastrear declínio cognitivo leve em ambulatórios.

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Outro ponto cego: o tempo de reação do avaliador com o cronômetro introduz erro padrão de aproximadamente zero vírgula dois a zero vírgula três segundos. Em pacientes muito rápidos, abaixo de seis segundos, essa margem representa mais de cinco por cento do resultado total. Para esse grupo, use cronômetro eletrônico com sensor de pés ou vídeo com frame counting. A diferença entre cinco segundos exatos e cinco vírgula três pode mudar a interpretação clínica.

Quando o teste não serve pra nada

O TUG falha completamente em pessoas que usam andador ou cadeira de rodas de forma permanente. Nesses casos, o resultado não tem validade clínica alguma, e recomendo o Timed Walk Test ou o Six Minute Walk Test como alternativas mais apropriadas. Pacientes com instabilidade postural grave, como os que têm parkinsonismo atípico com quedas anteroiores frequentes, podem ter tempo de TUG aparentemente normal porque fazem movimentos compensatórios muito específicos que o cronômetro não capta. A avaliação multimodal com escalas específicas de equilíbrio, como a Berg Balance Scale, é essencial nesses grupos.

Também não é indicado para triagem de risco de queda em jovens atletas ou populações não idosas. A validação do teste foi feita majoritariamente com adultos acima de sessenta e cinco anos. Extrapolir os cortes de referência para outras faixas etárias é exercício de especulação, não de prática clínica.

O que os números realmente dizem

Um tempo acima de doze segundos correlaciona-se com risco aumentado de quedas em idosos comitantes com odds ratio na faixa de dois a três, dependendo da população estudada. Para cada segundo adicional acima desse corte, o risco relativo sobe aproximadamente oito por cento segundo meta-análises recentes. Intervenções de treino de força e equilíbrio conseguem reduzir o tempo médio do TUG em cerca de um a dois segundos após oito a doze semanas, o que é clinicamente significativo mas não transforma um paciente de risco alto em risco baixo automaticamente. O TUG mede função, não prevenção. Ele mostra o estado atual, não o resultado futuro de um programa de reabilitação.

Se você precisa de um protocolo escrito completo, o original está disponível gratuitamente através de materiais de referência da geriatria e fisioterapia. Bases como a PhysioPedia e repositórios de universidades mantêm versões em português do procedimento padrão, prontas pra imprimir e usar na consulta.