Escolhendo entre there is e there are: o que funciona na prática
A maioria dos estudantes de inglês trava exatamente nesse par. Não porque a regra seja complicada, mas porque as exceções e os casos ambíguos aparecem com frequência no dia a dia, e os materiais didáticos tradicionais raramente explicam o que acontece depois da régua básica. Eu já revisei centenas de textos de alunos e profissionais que erravam não por ignorância da regra, mas por não saberem quando a regra deixava de valer.
there is or there are: a regra real
A diferença gramatical clássica é simples: there is para substantivos singulares ou incontáveis, e there are para substantivos plurais. Até aqui nenhum problema. A coisa começa a ficar confusa quando você encontra construções como "there is a lot of people" ou quando a estrutura é invertida em perguntas e respostas curtas. O que a maioria dos manuais não diz com clareza é que o there is e o there are funcionam como existenciais, não como sujeito-verbo tradicionais. Eles anunciam a existência de algo. O verbo concorda com o que vem depois, o chamado notional agreement ou acordo semântico, e não estritamente com a forma gramatical. Em inglês britânico formal, esse acordo muitas vezes segue a forma gramatical. Em inglês americano e no uso cotidiano, o acordo semântico domina amplamente.
Vou dar um exemplo direto. Se você escreve "there are two books and a pen on the table", a regra gramatical pura pede o plural porque "two books" é plural. Mas se você inverte e diz "there is a pen and two books on the table", muitos falantes nativos mantêm o singular, e isso é considerado aceitável no uso comum, especialmente na fala. O fenômeno se chama proximity agreement — o verbo se alinha ao substantivo mais próximo, não ao conjunto todo. Isso gera confusão constante. Eu vi revisores de conteúdo técnico rejeitarem "there's five reasons" em textos formais, enquanto aceitavam a mesma construção em posts de blog e e-mails internos. A inconsistência não é falta de padrão; é diferença de registro. O mesmo validador gramatical que marca erro em um documento acadêmico permite a construção em um fórum ou mensagem rápida.
Como decidir na prática
A regra prática que eu uso e recomendo é esta: em escrita formal, siga o acordo gramatical estrito. Substantivo singular ou incontável depois do existencial? Use there is. Substantivo plural? Use there are. Escreva "there are many options available" e nunca "there is many options". Em contextos informais, como conversas, mensagens, posts em redes sociais e e-mails internos, o there's contraindo para plural é amplamente aceito e soa muito mais natural para a maioria dos falantes nativos. Dizer "there's a lot of things I need to fix" soa menos truncado do que "there are a lot of things I need to fix" em muitos registros. A contração there's virou uma partícula existencial de uso geral, independente do número que vem depois.
Existem situações em que mesmo a regra estrita falha, e é aqui que a maioria dos materiais didáticos para. Quando o substantivo seguinte é uma lista Coordenada, como "there is a notebook, a pen, and three folders on the desk", alguns escritores mantêm o singular por proximidade. Outros usam o plural por concordância com o primeiro item. Ambas as formas são encontradas em publicações relevantes, e a escolha depende mais do estilo da casa do que de uma regra absoluta. Outro ponto cego: expressões de quantidade como a lot of, plenty of, half of, some of e most of obedecem ao acordo semântico, não à forma da expressão em si. "There is plenty of time" está correto porque time é incontável. "There are plenty of options" também está correto porque options é plural. A expressão quantitativa em si não determina o verbo. O substantivo que ela modifica é que determina.
Um problema real que eu encontrei
Num projeto de localização de documentação técnica, nos deparamos com frases como "there is an error in line 5, 12, and 47". A equipe de revisão pedia correção para there are, mas os engenheiros responsáveis pelo software rejeitavam a mudança porque o código gerava automaticamente there is seguido de listas de itens. O problema real era que o gerador de mensagens usava uma string fixa para todos os casos, independentemente do número de elementos na lista. A solução que adotamos foi dupla. Primeiro, criamos templates condicionais no sistema de tradução: se o número de itens na lista fosse maior que um, usava-se there are; caso contrário, there is. Segundo, definimos uma convenção de estilo interna que permitia there's como forma neutra em relatórios de bugs, onde a precisão gramatical extrema não trazia benefício prático para o leitor. Isso reduziu em cerca de 40% asbacks de revisão sem comprometer a clareza do documento final.
👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!
O que os testes padronizados esperam
Se você está estudando para TOEFL, IELTS, Cambridge ou vestibulares, a boa notícia é que essas provas seguem o acordo gramatical estrito na maior parte das questões. Elas raramente testam o proximity agreement ou a flexibilidade do there's com plural. Em fill-in-the-blanks, a resposta correta será quase sempre aquela que respeita a concordância numérica formal. Porém, há exceções intencionais. Algumas questões de listening em IELTS e TOEFL incluem transcrições com "there's several..." precisamente para testar se o candidato reconhece que a forma falada difere da forma escrita formal. Nesses casos, a resposta correta sobre o que foi dito é a que reflete a transcrição original, não a que "deveria" estar gramaticalmente perfeita.
Pegadinhas comuns que ninguém avisa
Uma das armadilhas mais frequentes envolve there is no seguido de plural. "There is no evidence" está correto porque evidence é incontável. "There is no solution" também está. Mas "There is no cars in the parking lot" está errado. O erro comum é pensar que o no torna a construção sempre singular. O determinante no não altera a contabilidade do substantivo que o segue. Outra pegadinha: a forma interrogativa. "Is there any water left?" vs. "Are there any students waiting?" A resposta curta também obedece à mesma lógica: "Yes, there is" ou "No, there aren't". Mas note que em respostas afirmativas plurais, muitos falantes dizem "Yes, there are" de forma elíptica, mesmo quando a pergunta usou "is there any...". A flexibilidade aparece sobretudo na fala.
Há ainda o caso dos collective nouns, como team, family, staff, company. Em inglês britânico, é perfeitamente aceitável dizer "there is a team waiting" mesmo quando você se refere a múltiplas pessoas. Em inglês americano, o tratamento tende a ser mais rigoroso quanto à forma singular do substantivo. Essa divergência varia dentro do próprio Reino Unido também — escoceses e irlandeses frequentemente tratam collective nouns de forma diferente dos falantes de Londres.
Erros que cometemos até hoje
Eu ainda produzo "there's a lot of" em mensagens rápidas com frequência, e isso não vai mudar. O mais honesto é reconhecer que essa contração evoluiu para um marcador discursivo que sinaliza introdução de informação, não estritamente para um verbo de existência com função numérica. Em análise de discurso, pesquisadores já documentaram que there's com plural aparece em aproximadamente 30% a 40% da fala espontânea de nativos em contextos informais, dependendo do estudo e da variedade dialectal. O risco real não é usar there's com plural na vida cotidiana. O risco é aplicar essa flexibilidade em contextos onde ela não é bem-vinda. Relatórios acadêmicos, documentos legais, normas técnicas e submissões a periódicos indexados ainda exigem acordo gramatical estrito. Em editais de concurso público, a banca considerará "there is many people" como erro gramatical, independentemente do uso corrente.
Quando não usar there is / there are
Existem contextos em que o existencial é desnecessário ou piora a clareza. Frases como "there are many factors that contribute to this result" podem ser substituídas por "many factors contribute to this result", que é mais direta e econômica. O uso excessivo de construções existenciais é uma marca registrada de texto inflado, comum em redações acadêmicas iniciantes que confundem formalidade com verboscheiro. Se a informação que você quer transmitir tem um sujeito claro e uma ação definida, elimine o there is/are. "There was a decision made by the committee" vira "The committee decided". A transformação não é só estética; reduz ambiguidade e facilita a compreensão em textos técnicos e jornalísticos, onde a objetividade é preferível à circumlocução.
Em resumo, a escolha entre there is e there are depende do registro, do contexto e do que vem depois do existencial. A regra formal é um ponto de partida seguro. A flexibilidade do uso real é o que você precisa dominar para funcionar em situações autênticas. Se tiver dúvida em um texto importante, pergunte-se qual é o público e qual é o nível de formalidade exigido. A resposta certa muda conforme a resposta a essas duas perguntas.