O teste cronometrado de levantamento e marcha
O timed up and go test é basicamente uma prova de mobilidade que dura dois minutos no máximo. Você marca três metros no chão, coloca uma cadeira com encosto, encosta a pessoa na cadeira e pede para ela se levantar, caminhar até a linha, virar, voltar e sentar de novo. Quem cronometra com um relógio. O resultado é em segundos. É isso. A variante mais comum é com uma cadeira padrão de altura média — cerca de 45 centímetros do chão — e marcha de três metros. Se a pessoa usa bengala ou andador, deixa ela usar o que costuma usar no dia a dia. Não adianta tirar a bengala e fazer o teste sem, só para "padronizar". Isso distorce o resultado porque você está testando outra coisa.
Como aplicar o timed up and go test na prática
Na clínica, eu faço da seguinte forma. Coloco uma régua ou fita métrica no piso, marco três metros a partir de uma linha de partida. A cadeira fica com o encosto apontando para a linha de chegada. A pessoa senta, as mãos cruzadas sobre o peito ou apoiadas nos braços da cadeira — depende do protocolo do serviço, mas eu prefiro mãos nos braços porque muitos idosos seguram ali por hábito e isso dá mais naturalidade. Quando eu digo "vai", inicio o cronômetro. Ela se levanta, caminha, vira na linha, volta e senta. Para o cronômetro no momento em que as nádegas tocam o assento novamente. O tempo normal para adultos mais velhos saudáveis fica entre 7 e 10 segundos. Entre 10 e 12 já é sinal de precaução. Acima de 12 segundos o risco de quedas aumenta significativamente. Acima de 20 segundos a fragilidade já está evidente na maioria dos casos. Essas são referências amplamente citadas nos artigos de Podsiadlo e Richardson, que desenvolveram o teste originalmente.
Um detalhe que ninguém sempre menciona: a velocidade da marcha durante o teste importa tanto quanto o tempo total. Uma pessoa que faz em 8 segundos mas com passos curtos e tremidos tem um perfil de risco diferente de alguém que faz em 9 segundos com marcha firme. Eu anoto os dois dados. Às vezes peço para a pessoa fazer o teste duas vezes e fico com a melhor. Às vezes fico com a média. Depende do objetivo. Se for triagem rápida, a melhor vez basta. Se for acompanhar evolução, a média de duas tentativas é mais estável.
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Problemas que aparecem no teste e como resolver
Uma situação recorrente que todo mundo que aplica esse teste vai encontrar: a pessoa não vira completo na linha e dá um passo lateral grande para compensar, gastando tempo extra e distorcendo a medida. Já vi gente medindo e achando que era lentidão real, quando na verdade era só técnica de giro ruim. A correção é simples. Marca-se um círculo de 50 centímetros de diâmetro na linha de virada. Instrui a pessoa a pisar dentro do círculo para virar. Isso padroniza o giro e reduz a variabilidade entre avaliadores. Outro problema comum é a cadeira. Cadeira muito baixa obriga a pessoa a usar mais força nos membros inferiores para se levantar, o que infla o tempo sem refletir a capacidade funcional real de marcha. Cadeira muito alta faz a pessoa deslizar para frente e subir de qualquer jeito. Use uma cadeira com assento a 43-48 cm do chão, encosto reto e braços que permitam apoio confortável. Evita muito ruído nos resultados.
Também tem o caso das pessoas que fazem o teste rápido demais e esquecem de sentar direito, encostando só as pontas das nádegas e levantando de novo quase que num movimento único de agachamento. Isso conta como terminado? Eu conto como terminado, mas aviso no prontuário. A sentação incompleta é um sinal clínico em si, indica déficit de equilíbrio e controle postural. Merece registro separado.
O que o teste não mostra
O timed up and go test é útil para triagem e acompanhamento, mas tem limitações claras. Ele não avalia equilíbrio estático. Não testa força muscular isoladamente. Não diferencia causa de quedas. Uma pessoa pode fazer em 9 segundos e ainda ter risco elevado de queda por outros motivos, como comprometimento cognitivo ou polifarmácia. Ele também não serve bem para pessoas que já usam dispositivos de marcha de forma permanente, como órteses ou exoesqueletos. Nesses casos, o tempo vai ser naturalmente maior e a interpretação precisa de outro referencial. Se você precisa de uma avaliação mais completa de risco de queda, combine o TUG com o Teste de Bench Step, com a Berg Balance Scale e com avaliação cognitiva rápida como o MMSE ou MoCA. O conjunto dá uma imagem muito mais precisa do que o teste isolado.
Existe também a versão cognitivamente desafiada do teste, onde a pessoa precisa contar de trás para frente enquanto caminha. Chama-se TUG dual-task. O tempo aumenta normalmente entre 2 e 5 segundos em idosos saudáveis. Aumentos maiores que isso são mais sugestivos de comprometimento cognitivo ou risco aumentado de queda. É um refinamento que vale a pena conhecer se você trabalha com população idosa em consultório ou hospital. O teste em si é de domínio público. Não tem licença, não tem custo, não precisa de certificado para aplicar. A referência original é o artigo de 1991 de Podsiadlo e Richardson, publicado no Journal of the American Geriatrics Society. Se quiser o formulário padronizado para anotar resultados, muitos serviços de fisioterapia e geriatria têm modelos próprios em PDF. Procure por "protocolo TUG" ou "Ficha de aplicação do Timed Up and Go" que acha fácil. O importante é seguir o protocolo que você escolher de forma consistente, porque comparar resultados de protocolos diferentes não tem validade.