Timed Up And Go Tug Test - Timed Up And Go
Timed Up And Go

O que é o TUG e como aplicar na prática

O Timed Up and Go é basicamente um cronômetro e uma cadeira. O paciente se levanta, caminha três metros, vira, volta e senta. O tempo total é o resultado. Leva dois minutos para explicar e trinta para executar. A maioria dos clínicos acha que sabem fazer, mas a execução varia absurdamente de profissional para profissional porque não há um padrão rígido de como posicionar a fita métrica ou quando começar a contar. Eu já vi terapeuta avaliar paciente com 11 segundos usando uma linha tracejada no chão e outro marcar 14 segundos com o mesmo paciente na semana seguinte porque usou fita isolante e mediu do calcanhar à linha de largada. O teste em si não é complicado. O problema é a variabilidade interavaliador.

timed up and go tug test

Aqui vai o passo a passo que eu uso e recomendo seguir à risca. Coloque uma cadeira firme, sem rodinhas, encosto reto. Meça exatamente três metros a partir da ponta do assento. Use fita métrica de metal, não fita de alfaiate que estica. Marque no chão com fita isolante preta ou branca — eu prefiro branca no piso claro. Posicione o cronômetro na mão dominante e deixe-o visível mas sem encostá-lo na mesa ao lado para não dar estímulo auditivo ao paciente. O paciente deve usar os calçados que usa no dia a dia. Se ele sempre vai de chinelos, teste de chinelo. Muletas ou andadores podem ser usados se o paciente habitualmente os utiliza, mas anote isso no prontuário porque muda a interpretação. Explique o procedimento uma única vez. Diga "quando eu disser começee, levante, caminhe até a linha, vire, volte e sente". Não repita mais nada durante o teste.

Posicione-se ao lado da cadeira, não na frente, para não criar efeito de plateia. Na contagem regressiva "três, dois, um, começee", aperte o cronômetro no momento exato em que as nádegas deixam o assento. Pare o cronômetro quando as nádegas tocam a cadeira de volta. Anote o tempo com uma casa decimal, ex: 8,4 segundos. Faça três tentativas e use a média. A primeira costuma ser mais lenta porque o paciente ainda está se ajustando. Existem versões modificadas que merecem menção rápida. O TUG duplo tarefa pede para o paciente carregar um copo com água ou fazer uma conversa enquanto caminha. Isso aumenta significativamente a sensibilidade para quedas em idosos com comprometimento cognitivo leve. O TUG coordenado exige que o paciente vire em oito e meça o tempo com os olhos fechados, o que testa o sistema vestibular. Ambas as variações são úteis mas não substituem o teste base.

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Números de referência que eu vejo todo dia no consultório: abaixo de 10 segundos é considerado normal para idosos saudáveis. Entre 10 e 14 segundos indica mobilidade dentro da média com leve comprometimento. Acima de 14 segundos já é sinal vermelho para risco de queda. Mas esses números não são lei. Um idoso de 82 anos que faz 12 segundos todos os meses está estável. Outro que passou de 9 para 13 segundos em duas semanas precisa de investigação, mesmo que ainda esteja "dentro da média". A tendência longitudinal vale mais que o ponto isolado. O problema que eu encontrei na prática e que pouca gente menciona é a questão da largada. Pacientes com parkinsonismo frequentemente antecipam o movimento antes do comando "começee". Eles já estão levantando quando você ainda está na palavra "dois". Se você apertar o cronômetro no início do comando, o tempo fica artificialmente baixo. A solução que eu adotei foi começar a cronometrar no momento em que as mãos deixam os joelhos, não no comando verbal. Isso elimina o ruído da antecipação motora. Não é o padrão do manual original, mas resolve um problema real que aparece em cerca de 30 por cento dos pacientes neurológicos que avalio.

Outro detalhe técnico que passa despercebido: a altura da cadeira. Cadeiras muito baixas prejudicam pacientes com artrose de joelho avançada e inflacionam o tempo independentemente da capacidade funcional real. Eu padronizo usando uma cadeira com assento a 45 centímetros do chão. Se o ambiente não permite, anote a altura utilizada e leve isso em consideração na interpretação. Um paciente com cadeira alta pode fazer o teste em 8 segundos e um igual com cadeira baixa fazer em 13 segundos, sem diferença real na condição clínica. O teste tem limitações sérias que precisam ser admitidas. Ele não avalia equilíbrio estático, força de membros inferiores de forma isolada, nem capacidade aeróbica. Um paciente pode fazer o TUG em 9 segundos mas cair na primeira escadaria por incapacidade de negociar degraus. O teste não substitui avaliação gait analysis completa em pacientes com marcha patológica. Além disso, idosos com demência moderada a grave muitas vezes não conseguem seguir a instrução de virar e retornar, tornando o teste inválido nesses casos.

Se você trabalha em contexto de triagem rápida, como em UTIs geriátricas ou serviços de urgência, o TUG é útil sim. Mas para acompanhamento longitudinal de Parkinson ou pós-AVC, considere complementar com o Timed Walk of 10 metros e o Berg Balance Scale. Juntos eles dão uma imagem muito mais completa do que o TUG isolado. Para quem quer o formulário padronizado, a versão originalValidada foi publicada por Podsiadlo e Richardson em 1991 no Journal of Gerontology. Você encontra o protocolo completo no site da Oxford Center for Evidence-Based Medicine ou em manuais de fisioterapia geriátrica como o do PT Focus.Não há um download oficial único porque o teste é de domínio público, mas a descrição detalhada do procedimento com tabelas normativas está disponível gratuitamente em repositórios acadêmicos.

O que eu recomendo na prática é criar sua própria ficha de registro com campos para data, altura da cadeira, calçado utilizado, tipo de assistência (se houver), as três tentativas e a média. Anotar altura da cadeira e calçado parece bobo mas faz diferença quando você revisita o prontuário seis meses depois e precisa comparar com a avaliação anterior. Sem esses dados, a comparação perde validade.