Tipos De Baloes De Quadrinhos - Tipos De Balões De Histórias Em Quadrinhos
Tipos De Balões De Histórias Em Quadrinhos

Balões de quadrinhos: o que você realmente precisa saber

A gente passa muito tempo confundindo os tipos de balões. Tem quem ache que é só usar uma moldura diferente pra indicar que alguém tá gritando, mas a coisa é um pouco mais específica do que isso. Quando eu comecei a desenhar, gastei meses pra entender a diferença entre o balão de pensamento com aquela nuvem e o balão narrativo que não tem bico nenhum.

Tipos de baloes de quadrinhos mais usados

O balão de fala comum é o padrão. Tem o texto, tem a moldura retangular arredondada, e tem um bico apontando pra boca do personagem. Esse é o que você vê em todo lugar. A maioria dos iniciantes começa por aí e aí fica preso nesse estilo porque é o mais fácil de dominar. O balão de pensamento é aquela nuvem com bolinhas levando até a cabeça do personagem. Antigamente usava-se muito pra indicar pensamentos, mas hoje em dia muitos desenhistas preferem deixar o pensamento sem balão mesmo, só com a arte transmitindo. É uma questão de estilo. Eu já vi artistas resolverem isso com close no rosto e sombra no olho, sem precisar de nuvem nenhuma.

O balão narrativo é aquele quadrado ou retângulo sem bico, geralmente no canto da página. Ele não pertence a nenhum personagem específico. Serve pra narração, pra situar o leitor no tempo e no espaço. Achei isso meio confuso no começo porque às vezes ele compete visualmente com o balão de fala quando estão perto demais na composição. Tem também o grito, que basicamente é um balão de fala comum mas com borda grossa e zigue-zague, tipo um raio. Funciona pra voz alta, pra impacto. O problema é que se você usar demais, perde o efeito. Eu já trabalhei num projeto onde o personagem gritava em quase todas as páginas e no final o grito não tinha mais impacto nenhum. Aí resolvi usar grito só nos momentos-chave e o resto deixei em balão normal com o texto em negrito ou caixa alta.

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Os balões de som são aqueles com texto onomatopeico, tipo BAM ou TAC. Não têm bico. Ficam soltos na página. Às vezes ficam dentro de um balão explosão, às vezes só no próprio traço. Isso depende muito do estilo da obra. Quadrinhos mais realistas tendem a usar menos esses elementos visuais, enquanto super-heróis e comics americanospuros adoramlhe usar. Existe ainda o balão de rádio, transmissão, coisa tecnológica. Ele tem uma borda pontilhada ou uma forma redonda com pequenas bolinhas ao redor. É bem específico pra personagens usando comunicadores, robôs, aquelas situações de comunicação eletrônica. Quando eu tava fazendo uma história com um personagem cyborg, precisei criar um estilo próprio porque o balão tradicional não funcionava. A solução foi usar borda pontilhada com um fundo levemente cinza, o que dava a sensação de emissão eletrônica sem poluir a página.

Como escolher e aplicar na prática

O primeiro passo é decidir o tom da sua obra. Se for algo mais adulto, realista, talvez você nem precise de tantos balões distintos. Quadrinhos indie e graphic novels costumam ser mais discretos com os balões, usando o formato convencional na maior parte do tempo. Se for algo mais estilizado, como mangá ou super-herói, aí a variedade de balões faz mais sentido. O segundo passo é organizar seu sistema. Crie uma folha de estilos com os balões que você vai usar, com as medidas, espessuras de linha e espaçamentos. Isso economiza muito tempo. Sem isso, você fica reinventando o desenho de cada balão a cada página. Na minha experiência, isso corta o tempo de producción de uma página de cerca de 40 minutos para uns 18 minutos quando o sistema tá definido.

O terceiro ponto é a legibilidade. Balão com letra pequena demais é problema sério. Eu já vi um artista usar fonte tamanho 6 num balão de 15 linhas e ninguém conseguia ler. Use pelo menos tamanho 10 para texto corrido, maior se o balão for grande. Espaçamento entre linhas também importa, não adianta ter fonte bonita se o texto fica colado. Outro detalhe que muita gente esquece: o bico do balão precisa apontar pro personagem que fala. Já vi Balão com o bico errado em publicações profissionais e isso distrai demais o leitor. É um erro bobo mas que quebra a imersão. Quando o personagem tá de perfil ou de costas, o bico pode ser mais genérico, mas ainda assim precisa dar a dica de quem está falando.

Para quem tá começando, o ideal é dominar os três básicos primeiro: balão de fala, balão de pensamento e balão narrativo. O resto vem com a prática. Não tente usar todos os tipos desde a primeira história. O excesso de variação de balões num mesmo trabalho costuma parecer amadorismo, não criatividade. A consistência visual é mais importante do que mostrar quantos formatos você conhece. Quem quiser estudar mais, recomendo olhar a bibliografia do Will Eisner, especialmente "Comics and Sequential Art", que é o livro básico sobre o assunto. Também dá pra analisar obras dos quadrinhos brasileiros como os trabalhos de Losano ou a Turma da Mônica, que têm sistemas de balões bem definidos e consistentes.