Um guia prático sobre espécies de tubarões
Muita gente confunde tubarão-branco com outras espécies quando tenta catalogar avistamentos. Na prática, identificar corretamente os exemplares exige observar a forma da nadadeira peitoral, o contorno do focinho e, em alguns casos, o tamanho aproximado sem se aproximar demais. Eu já passei por esse problema na costa de Pernambuco, onde um tubarão-tigre e um zebra-fish (na verdade, uma arraia) eram frequentemente trocados em registros amadores porque ambos têm padrão listrado. A solução foi usar uma chave de identificação baseada na posição da primeira nadadeira dorsal em relação à base das nadadeiras peitorais.
todos os tubaroes: o que você precisa saber antes de entrar na água
O Brasil possui registro de mais de cinquenta espécies de tubarões em suas águas territoriais. As mais comuns perto da costa incluem o tubarão-martelo, o tubarão-anonimado, o tiger-shark e o baleeiro. Cada um tem comportamento diferente e exige abordagem distinta. O tubarão-branco, por exemplo, costuma evitar águas rasas durante o dia, enquanto o tubarão-negro-de-água-rasa é frequentemente avistado em recifes pouco profundos. Essa diferença de habitat é o primeiro filtro que deve ser usado antes de qualquer tentativa de catalogação. Um erro muito comum é tentar fotografar ou filmar sem considerar a orientação do animal. Tubarões têm campo de visão limitado lateralmente e a aproximação pelo flanco pode ser interpretada como ameaça. Eu aprendi isso na pior das maneiras quando um exemplar de cerca de dois metros fez uma curva brusca em minha direção após eu ficar na posição errada em relação à correnteza. O workaround foi simples: manter sempre o animal no campo de visão periférico e recuar devagar em linha reta, sem movimentos laterais bruscos.
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A legislação brasileira classifica a maioria das espécies como ameaçadas de extinção conforme a lista do ICMBio. Coletar amostras, capturar ou perturbá-los sem autorização gera multa que pode ultrapassar cinquenta mil reais por indivíduo. O correto é registrar fotos e, se possível, marcar com etiquetas de satélite para coleta de dados científicos, o que requer autorização do IBAMA. Outro ponto negligenciado é a questão da maré e da visibilidade. Espécies como o tubarão-pedra são camaleônicas e ficam praticamente invisíveis em fundos arenosos com menos de meio metro de profundidade e alta turbidez. A técnica que funciona consiste em esperar por maré baixa com luz solar incidindo verticalmente, o que aumenta o contraste e facilita a identificação. Em águas como as do arquipélago de Fernando de Noronha, esse método reduz o tempo de busca em cerca de sessenta por cento.
Se o interesse é realmente catalogar os exemplares encontrados, recomendo começar pelo iNaturalist ou por plataformas científicas como o Reef Life Survey. Ambos permitem que fotógrafos enviem registros que contribuem para bancos de dados confiáveis. A diferença é que o iNaturalist tem algoritmo de reconhecimento por imagem que acerta especimes com cerca de setenta por cento de precisão nos casos mais comuns, enquanto o Reef Life Survey exige validação por um especialista, o que leva mais tempo mas garante a acurácia. Para quem quer ir além e publicar dados, o protocolo padrão inclui medir o comprimento total e do disco (no caso dos tubarões-elasmobranquios com corpo achatado), registrar a temperatura da água, profundidade e tipo de fundo. Uma fita métrica flexível e um termômetro digital custam menos de duzentos reais e fazem diferença enorme na qualidade do registro.
Um detalhe técnico que pouca gente menciona: a cor da pele dos tubarões muda com o estresse. Um exemplar tranquilo tende a mostrar a coloração natural, enquanto um estressado pode clarear ou escurecer rapidamente. Se você notar essa mudança durante um avistamento, significa que está muito próximo ou causando perturbação. Ajuste a distância e espere pelo menos trinta segundos para que a pigmentação volte ao normal antes de fazer registros definitivos. Em resumo, o assunto é muito mais amplo do que se imagina. Existem desafios logísticos, técnicos e legais que precisam ser considerados seriamente antes de qualquer atividade de campo. A informação disponível na internet é limitada e, muitas vezes, imprecisa quanto às espécies brasileiras. O melhor caminho é investir em treinamento prático, seguir a legislação vigente e contribuir com dados validados cientificamente.