Transtorno Dissociativo De Identidade - Transtorno dissociativo de identidade: Causas, sintomas, tratamentos ...
Transtorno dissociativo de identidade: Causas, sintomas, tratamentos ...

O que eu vejo na prática clínica

A maioria das pessoas que chega até mim acreditando ter transtorno dissociativo de identidade está confusa sobre por que encontra documentos que não reconhece como seus, ou por que pessoas próximas dizem que ela se comportou de forma completamente diferente em determinado período. O diagnóstico não é feito por testes de personalidade convencionais — o MMPI-2, por exemplo, pode sugerir a possibilidade, mas ele não confirma nada sozinho. O que realmente funciona é uma avaliação estruturada com o SCID-D, a entrevista clínica padrão para diagnósticos dissociaativos, aplicada por profissional com formação específica em trauma complexo. Uma coisa que poucos mencionam nos materiais introdutórios: os altinhos e baixos de funcionamento nem sempre aparecem de forma cronológica. Um cliente meu, homem de 41 anos, tinha um perfil alternante onde a parte responsável pelo trabalho mantinha o emprego há 12 anos sem interrupção, enquanto outra parte gerenciava o lar e vivia com sintomas de pânico que só emergiam nos fins de semana. Isso dificultou muito o mapeamento inicial, porque o quadro parecia se encaixar em transtorno de ansiedade generalizada num primeiro olhar. Levou três sessões de triagem com o DES-II (Dissociative Experiences Scale revisada) com escore acima de 30% para eu suspender essa hipótese e seguir com a investigação estruturada.

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Sinais que merecem atenção antes de buscar o transtorno dissociativo de identidade

O primeiro sinal prático não é a presença de múltiplas identidades — esse é um equívoco comum alimentado pela cultura popular. O sinal real é a amnésia dissociativa recorrente. Pessoas com esse quadro frequentemente relatam perder minutos ou horas, encontrar-se em lugares sem memória do trajeto, ou receber mensagens de texto que não lembram de ter enviado. A chave é a frequência e o impacto funcional: episódios isolados ocorrem em até 60% da população geral sem qualquer diagnóstico, segundo dados do National Comorbidity Survey. O problema surge quando esses episódios acontecem várias vezes ao mês e interferem no trabalho, nos relacionamentos ou na capacidade de manter responsabilidades básicas. Outro ponto que gera muita confusão é a diferença entre dissociação e crises psicóticas. Na dissociação, a pessoa normalmente mantém o senso de realidade — ela sabe que algo estranho está acontecendo, mas não consegue controlar. Na psicose, há perda do contato com a realidade propriamente dita. Confundir os dois leva a tratamentos completamente opostos, e isso é grave porque antipsicóticos em doses terapêuticas não resolvem o quadro dissociativo e podem piorar sintomas depressivos associados em cerca de 40% dos casos que eu acompanhei.

A comorbidade é a regra, não a exceção. Transtorno de estresse pós-traumático aparece em mais de 70% dos casos diagnosticados, seguido por depressão mayor e transtornos de alimentação. Uma avaliação que ignore essas camadas vai deixar diagnósticos pendentes e tratamento incompleto. No meu caso, o protocolo que adotei depois de anos de prática envolve: primeiro descartar condições neurológicas com EEG e ressonância magnética quando há sintomas atípicos como convulsões dissociativas; depois aplicar o SCID-D completo; e só então iniciar o acompanhamento com abordagem