Tubarão É Vertebrado Ou Invertebrado - Afinal, tubarão é invertebrado ou vertebrado? | Petz
Afinal, tubarão é invertebrado ou vertebrado? | Petz

Os tubarões têm coluna vertebral, e isso muda tudo no que você acha que sabe sobre eles

A primeira coisa que a maioria das pessoas descobre quando tenta separar um tubarão de um invertebrado é que o quesito esqueleto não funciona como esperado. A pergunta tubarão é vertebrado ou invertebrado parece simples, mas a resposta carrega uma série de detalhes que a biologia comparada costuma deixar embaixo do tapete nos resumos introdutórios. Tubarão é vertebrado. Simplesmente é. Pertence ao subfilo Vertebrata dentro do filo Chordata. O esqueleto dele é cartilaginoso, não ósseo, e essa diferença estructural gera confusão constante entre estudantes e curiosos que associam "vertebrado" automaticamente a "ossos".

Por que a dúvida existe na prática

O esqueleto dos tubarões é feito de cartilagem hialina, a mesma espécie que compõe a ponta do seu nariz e a borda das suas orelhas. Quando um tubarão morre e o corpo se decompõe, a cartilagem sobrevive muito mais tempo que o osso. Isso é o que gera a maior parte dos fósseis de tubarão que existem, e também é o motivo pelo qual peças de esqueleto completo de tubarão são raras em acervos museológicos. O colágeno da cartilagem se preserva de forma diferente, e os processos de taxidermia exigem técnicas específicas, como a injeção de fluidos estabilizadores diretamente nos tecidos cartilaginosos, algo que muitos estúdios de montagens naturalísticas ainda fazem de forma improvisada. Já tive que lidar com um exemplar de tubarão-caranguejeiro (Rhincodon typus) que estava sendo preparado para exposição e o esqueleto estava literalmente se desfazendo nas mãos porque o técnico responsável tratou a cartilagem como se fosse osso. A cartilagem de tubarão precisa de um processo de desidratação controlada com substituição por poliuretano ou resinas epóxi de baixa viscosidade. O que funcionou foi mergulhar as peças em acetona por vários dias, permitindo que o solvente deslocasse a água lentamente, e só então injetar a resina. Esse método leva cerca de três semanas para peças grandes, mas o resultado é estável por décadas. Tentar acelerar o processo com calor ou pressão direta destrói a arquitetura da cartilagem.

A anatomia que comprova a condição vertebrada

Dentro da coluna vertebral dos tubarões existem os notocórdios, estruturas que em vertebrados ósseos são substituídas por vértebras completas. Nos tubarões, a notocorda persiste como um cordão axial longitudinal revestido por fibrocartilagem, e ao redor dela se organizam arcos neurais e hemais que protegem a medula espinhal e os vasos sanguíneos. Isso é, sim, uma coluna vertebral. Só que com uma configuração diferentes da nossa. Os rins dos tubarões também são um indicador importante. Eles são mesonefróticos, funcionais durante toda a vida, e localizados na região ventral da cavidade corporal. Em invertebrados, os órgãos excretores são structuras completamente distintas, como os túbulos de Malpighi nos artrópodes ou os protonefrídios nos platelmintos. A presença de rins mesonefróticos é um traço inequívoco de vertebração.

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O sistema circulatório dos tubarões é fechado, com coração bicamaral e aorta ventral. Invertebrados como moluscos cefalópodes também têm circulação fechada, mas o coração deles é estruturalmente diferente e não se relaciona com a presença de coluna vertebral. O que define a condição vertebrada não é apenas o esqueleto interno, mas todo o pacote embrionário: notocorda, corda nervosa dorsal oca, fendas faríngeas e cauda pós-anal durante o desenvolvimento. Tubarão tem tudo isso.

O que os iniciantes geralmente erram

O erro mais comum é achar que porque o tubarão não tem ossos ele não tem vértebras. Não é bem assim. As vértebras dos tubarões são parcialmente desenvolvidas, com centros de ossificação cartilaginosa que podem ser identificados em radiografias e tomografias. Elas não formam corpos vertebrais compactos como nos peixes ósseos, mas os arcos neurais e hemais são verdadeiras vértebras modulares. Outro equívoco frequente é confundir a ausência de bexiga natatória com ausência de vertebração. A bexiga natatória é um órgão derivado do trato digestório presente em osteíctes para controle de flutuabilidade. Tubarões não têm bexiga natatória e precisam nadar constantemente ou usar um fígado extremamente grande, rico em escualeno, para ganhar sustentação. Isso é uma adaptação ecológica, não um argumento para excluí-los dos vertebrados.

Também é errado usar o argumento dos dentes como prova de invertebrado. Os dentes dos tubarões são estruturas dérmicas, derivadas da pele, e não de tecidos internos. Invertebrados como os cnidários têm estruturas pontiagutas também, mas de origem completamente diferente. A presença ou ausência de dentes não tem nenhuma correlação com a classificação vertebrada ou invertebrada.

Limitações dessa classificação na prática

A classificação de tubarão como vertebrado é sólida do ponto de vista filogenético, mas quando se trata de estudar a morfologia comparada, há zonas cinzentas. A cartilagem dos tubarões pode sofrer um processo chamado calcificação endocondral em certas espécies, como o tubarão-martelo (Sphyrna spp.), onde depósitos de cristais de apatita se incorporam à matriz cartilaginosa, tornando o esqueleto significativamente mais rígido. Em casos extremos, um observador pouco experiente pode confundir esse esqueleto parcialmente mineralizado com um esqueleto ósseo verdadeiro. Outro ponto prático é que a nomenclatura "Cartilaginosi" vs "Osteichthyes" como subdivisões dos vertebrados ainda causa confusão em materiais didáticos. Muitos livros introdutórios tratam os tubarões como se fossem um grupo separado dos demais vertebrados, quando na realidade eles são um linhagem dentro de Vertebrata tão válida quanto a dos ossos. Essa representação visual e conceitual equivocada é provavelmente a principal razão pela qual a dúvida "tubarão é vertebrado ou invertebrado" persiste em pesquisas e discussões online.