Uso De Mais E Mais - Atividades de Língua Portuguesa...: Mas, más e mais. Não confunda!
Atividades de Língua Portuguesa...: Mas, más e mais. Não confunda!

Entendendo o uso de mais e mais na língua portuguesa

A expressão mais e mais funciona como um intensificador cumulativo. Ela indica que algo se repete, se acumula ou se torna progressivamente mais intenso ao longo do tempo. Não confunda com o advérbio mais isolado, que simplesmente estabelece comparação ou gradativo. Mais e mais carrega a ideia de repetição insistentese, muitas vezes, de exaustão.

O uso de mais e mais: quando funciona e quando não funciona

Em português, a construção mais e mais é natural diante de adjetivos, verbos no sentido de frequência e certos advérbios. Você encontra exemplos comuns como mais e mais bonito, mais e mais rápido, mais e mais frequente ou mais e mais difícil. A estrutura transmite a sensação de uma curva ascendente: algo não apenas cresce, mas cresce de novo e de novo. O problema é que muita gente usa mais e mais onde o sempre mais ou apenas o mais bastaria. Em registros formais, a repetição mais e mais pode soar enfática demais ou até redundantese o contexto já deixa clara a progressão. Eu vi relatórios técnicos cheios de frases como a complexidade aumentou mais e mais ao longo dos anos — soa pior do que a complexidade aumentou consideravelmente ao longo dos anos ou simplesmente a complexidade cresceu continuamente.

O que as pessoas esquecem é que mais e mais não é um sinônimo genérico de muito. Ele carrega uma carga temporal e iterativa. Se você está falando de um estado resultante, e não de um processo acumulativo, a expressão fica deslocada. Ele é mais e mais inteligente soa estranho porque inteligência, em geral, não se descreve como algo que se acumula repetidamente no presente. Melhor: ele é cada vez mais inteligente ou ele é muito inteligente. Existe ainda um caso mais sutil. Mais e mais funciona bem com verbos de ação repetida, como ele trabalhava mais e mais horas. Mas em construções com verbos de estado ou percepção, a coisa encaixa menos. Eu gostava mais e mais dela é aceitável em narrativa literária, mas em um e-mail corporativo soa artificial. A norma culta prefere eu passava a gostar cada vez mais dela ou meus sentimentos por ela cresceram.

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Uma armadilha que peguei várias vezes em revisões é a concordância quando mais e mais modifica substantivos plurais. Mais e mais problemas está correto. Mais e mais problema soa mal porque a lógica pede plural após o intensificador cumulativo. Já vi gente escrever havia mais e mais solução achando que estava sendo poética. Não estava. Estava errado. Outro detalhe que poucos mencionam: mais e mais pode funcionar como locução adverbial de modo, mas também como determinante. Quando antecede um substantivo, age como determinante indefinido com valor cumulativo. Mais e mais pessoas compareceram é diferente de pessoas mais e mais numerosas compareceram — esta segunda soa extremamente artificial e é praticamente incompreensível. Prefira pessoas cada vez mais numerosas.

Se você quer algo mais enxuto e menos ambíguo, considere alternativas como cada vez mais, successivamente, progressivamente ou simplesmente sempre mais. Cada uma tem seu registro e seu momento. Cada vez mais é o substituto mais seguro e universal. Progressivamente funciona bem em textos técnicos e científicos. Sempre mais é mais coloquial, mas soa natural em conversas do dia a dia. A regra prática que eu sigo agora é simples. Sempre que for escrever mais e mais, me pergunto: há realmente uma noção de repetição ou acumulação explícita? Se a resposta for não, troco por outra construção. Se a resposta for sim, mantenho, mas verifico se o tom do texto suporta essa ênfase acumulativa. Textos jornalísticos aceitam melhor do que manuais técnicos, que preferem precisão sem adornos.

Em resumo, o uso correto de mais e mais depende do contexto, do registro e da intenção comunicativa. Não é errado usá-lo, mas é preciso saber quando ele adiciona sentido real e quando apenas preenche espaço. O excesso de intensificadores acumulativos é um dos vícios de estilo mais comuns em textos produzidos por quem ainda não domina as nuances do português escrito. A dica prática é ler o período em voz alta. Se ele soar redundante ou forçado, provavelmente está.