Atividade Saci Perere - Atividades sobre folclore - Saci Pererê 1
Atividades sobre folclore - Saci Pererê 1

O que é atividade saci perere e por que as escolas fazem isso todo ano

Saci Pererê é um personagem do folclore brasileiro, basicamente um menino de uma perna só que usa um gorro vermelho e fuma cachimbo. Em outubro, quando se comemora o Dia do Saci (20 de outubro) e o Dia da Consciência Negra, praticamente toda escola no Brasil organiza alguma atividade temática. O problema é que a maioria dos professores improvisa sem criterio, e o resultado costuma ser meia-boca. Eu já vi material didático sendo copiado do Pinterest, atividades que não têm nenhuma conexão com o significado real do Saci, e professores que tratam o personagem como se fosse só entretenimento infantil, ignorando completamente a camada histórica e social que ele carrega. Isso não funciona bem com alunos que estão começando a fazer perguntas mais profundas.

atividade saci perere: como fazer algo que realmente funcione

Antes de falar das atividades em si, precisa entender o que você está trabalhando. O Saci foi criado por Monteiro Lobato, mas a raiz do personagem vem de lendas indígenas tupis. O nome "saci-pererê" vem do tupi e tem relação com entidades da floresta. Quando o Dia da Consciência Negra foi institucionalizado, o Saci foi escolhido como símbolo porque é um personagem negro da cultura popular brasileira. Não é uma coincidência, é uma escolha política e cultural. Então, uma atividade séria tem que passar por esses três eixos: o folclore em si, a origem do personagem, e a questão da representatividade negra no Brasil. Se você pular o terceiro eixo, a atividade perde metade do sentido, especialmente para alunos do ensino fundamental II e médio.

A estrutura básica que eu uso: Primeiro eu começo com uma rodinha de apresentação do personagem. Coloco trechos do originaux do Sítio do Picapau Amarelo, mas também pesquiso versões mais fiéis às lendas indígenas. Os alunos leem, discutem o que percebem. Isso leva uns 15 a 20 minutos. Não adianta passar um desenho animado e chamar de atividade. Leitura é leitura.

Depois vem a parte prática. Eu monto uma caça ao garrafão, que é a clássica brincadeira onde o Saci esconde um garrafão e os alunos precisam encontrar. Funciona porque é dinâmica e envolve todo mundo. Mas o pulo do gato é o que acontece depois: eu pergunto por que o Saci Esconde as coisas, por que ele é travesso, e qual a relação disso com a ideia de invisibilidade social que alguns autores apontam. Aí a brincadeira ganha camadas. Eu costumo incluir também a produção do gorro vermelho. Material simples: papel cartolina vermelho, elástico ou barbante. Leva uns 10 minutos e as crianças adoram. Mas novamente, o importante não é o objeto em si. É o que você faz com ele. Eu peço que escrevam no verso do gorro uma qualidade que elas admiram em alguém da comunidade negra brasileira. Pode ser uma pessoa famosa, pode ser alguém do cotidiano delas. Isso transforma um artesanato qualquer em algo com peso.

O problema que eu encontrei e como resolvi: Em uma escola pública onde eu trabalhei, tínhamos um grupo de alunos mais velhos que simplesmente rejeitavam as atividades folclóricas, chamando de "coisa de infantil". Eles tinham razão em parte, porque muitas atividades realmente são infantilizantes quando mal conduzidas. O que eu fiz foi mudar o foco. Em vez de tentar vender o Saci como personagem alegre, eu trouxe a discussão sobre como os personagens folclóricos brasileiros muitas vezes carregam estereótipos raciais, e pedi que eles pesquisassem outras formas de representação negra na cultura popular. Alguns trouxeram referências de umbanda, outros de artistas contemporâneos. A atividade saiu do lugar-comum e virou debate real. Rendeu muito mais do que qualquer caça ao garrafão jamais rendeu.

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atividades práticas que funcionam

Caça ao garrafão do Saci: esconda um garrafão com papelinhos dentro em diferentes pontos da escola ou da sala. Dentro de cada papelinho, coloque uma pergunta ou informação sobre o Saci, sobre Monteiro Lobato, ou sobre a cultura afro-brasileira. Quando eles acham o garrafão, leem os papelinhos juntos. Isso transforma a brincadeira em um quiz coletivo. Produção de texto criativo: peça que reescrevam uma cena do Saci sob outra perspectiva. Pode ser do ponto de vista de outro personagem, ou até do próprio Saci como uma figura mais complexa, não apenas o garoto travesso. Alunos mais velhos conseguem fazer reflexões interessantes sobre liberdade, sobre pertencimento, sobre ser visto ou invisível.

Pesquisa sobre a origem indígena do Saci: muitos professores nem sabem, mas o Saci tem raízes em lendas tupis. Pedir uma pesquisa simples sobre isso já abre o leque cultural. Você pode comparar com outros personagens similares de outras culturas latino-americanas, como o Cuca, que tem origem em contos europeus e foi adaptada por Lobato. Mapa do folclore brasileiro: distribua um mapa mudo do Brasil e peça que localizem os principais personagens folclóricos por região. Saci é do interior/sudeste, Mascaçal é do Nordeste, Curupira é da Amazônia. Isso dá uma noção de como o folclore é diverso e regional. Funciona bem do primeiro ao quinto ano também.

o que não fazer

Não transforme o Saci em piada. Não use charges ou representações que ridicularizem traços físicos. Já vi materiais didáticos com desenhos problemáticos que os professores nem percebem. Sempre revise o material antes de entregar aos alunos. Não faça a atividade só no dia 20 de outubro e ignore o resto do ano. Se você quer trabalhar consciência negra, o Saci pode ser uma porta de entrada, mas não pode ser a única. A data é importante, mas o conteúdo precisa ser perene.

Não subestime os alunos. Eles sentem quando algo é superficial. Se a atividade for só colar papel e colorir, eles vão perceber que aquilo não tem nada a ver com a realidade deles. Envolva eles na discussão, deixe que questionem, que tragam experiências próprias.

onde encontrar materiais prontos

O portal do Instituto Prosa, Lógica e Verso tem materiais bons sobre folclore. A Secretaria de Educação de vários estados também disponibiliza propostas pedagógicas gratuitas. Em sites como o Portal do Professor do MEC dá para encontrar sequências didáticas completas, algumas com planos de aula prontos para imprimir e adaptar. Eu costumo pegar um material básico e reformulá-lo conforme a realidade da minha turma, porque material genérico raramente se encaixa perfeitamente. O essencial é ter clareza do que você quer ensinar antes de montar a atividade. O Saci é um personagem rico, mas riqueza sem direção vira bagunça. Se o objetivo é só entreter, tudo bem, mas não espere que os alunos levem nada consigo além de uma memória passageira de brincadeira.