Trabalhando noções de posição na educação infantil na prática
A ideia parece simples no papel. Colocar um objeto à direita, à esquerda, em cima, embaixo, dentro, fora. O problema é que crianças pequenas vivem numa fase onde essas noções ainda estão se construindo e o que faz sentido para você nem sempre faz para elas. Eu já vi professores tentarem explicar "ao lado de" durante vinte minutos e nenhuma criança entender, só porque ninguém tinha estabelecido um referencial claro antes.
Como estruturar atividades de noções de posição
O primeiro passo é sempre definir o referencial espacial. A maioria dos professores pula essa etapa. Eles colocam uma boneca na mesa e dizem "coloque o carrinho à direita da boneca". Mas direita de quem? Da boneca ou da criança que está olhando? Isso gera confusão o tempo todo. Eu resolvi isso usando uma boneca com um coração costurado na frente. A partir daí fica óbvio: o lado do coração é a frente, o lado oposto é as costas, e esquerda e direita seguem a partir daí. As crianças erravam muito menos. Depois de fixado o referencial, você precisa trabalhar em três camadas. A primeira é a noção egocêntrica: a criança sente em si mesma. Levante a mão direita. Qual pé é o esquerdo. A segunda é a noção sobre objetos isolados: esta borracha está dentro da caixa. A terceira, a mais difícil, é a noção relacional entre dois objetos: o lápis está entre o caderno e a régua.
Para atividades noções de posição educação infantil, o material concreto é obrigatório. Folhas de exercícios impressos funcionam, mas só depois que a criança já manipuluou os objetos fisicamente. Sem essa fase prática, o desenho vira um exercício de decoreba sem significado.
Atividades que funcionam de verdade
O jogo do túnel é um dos mais efetivos. Você usa caixas de papelão, mangueiras de brinquedo ou até mesmo cadeiras alinhadas. A criança coloca um ursinho dentro, em cima, embaixo de uma cadeira, passa por dentro do túnel. Cada posição ganha corpo. É cansativo de montar, mas uma única sessão de trinta minutos economiza semanas de trabalho com folhas de exercícios. A caixa surpresa também é eficiente. Uma caixa de sapato com duas aberturas, uma em cada lado. A criança coloca a mão por uma abertura e precisa descrever onde o objeto está: no fundo, perto da tampa, virado de cabeça para baixo. Isso trabalha vocabulário posicional junto com a compreensão espacial.
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Contagem de objetos em fileiras funciona bem para associar posição e ordem. Coloque seis blocos coloridos em fila. Pergunte: qual bloco está na terceira posição? Qual está entre o vermelho e o azul? A transição de noção espacial para noção ordinal acontece naturalmente com esse tipo de atividade.
O problema que ninguém conta
Crianças canhotas criam uma dificuldade específica que muitos educadores não antecipam. Para elas, "direita" e "esquerda" no próprio corpo já são invertidos em relação ao padrão que a maioria dos materiais didáticos assume. Quando eu comecei a notar que certas crianças erravam sistematicamente nas atividades de esquerda e direita, independentemente da explicação, suspeitei. Testei pedindo que identificassem "a mão com que você segura o lápis". A confusão reduziu drasticamente quando eu deixei de impor o referencial corporal padrão e trabalhava primeiro com o referencial do objeto. Outro problema comum é a velocidade. Professores querem cobrir várias atividades por semana. O resultado é que as crianças avançam para "entre" e "atrás" antes de dominarem "em cima" e "embaixo". Não adianta nada. Se uma criança ainda confunde em cima com embaixo, passar para acima e abaixo vai só consolidar a confusão. Eu recomendo testar realmente a compreensão antes de progredir, mesmo que isso signifique ficar três semanas na mesma noção básica.
Há também uma limitação importante nos materiais impressos. Eles só funcionam para crianças que já têm controle motor fino suficiente para pintar, riscar e rasurar dentro das linhas. Crianças de quatro anos, especialmente, ainda estão desenvolvendo isso. Forçar o uso de folhas antes da hora gera frustração e a atenção volta-se para o gesto motor, não para o conceito espacial que deveria ser o foco. A alternativa quando isso acontece é trabalhar com massa de modelar, blocos de montar e peças de encaixe. Nada de papel. A criança monta a cena fisicamente, aponta, descreve. Só depois, quando a noção estiver consolidada, você introduz a representação bidimensional.
Coletâneas e recursos disponíveis
Existem vários sites educacionais que oferecem atividades prontas. O site do Ministério da Educação tem uma seção com materiais gratuitos. Plataformas como o Porta de Conhecimento e o Todos Pela Educação também disponibilizam arquivos em PDF organizados por faixa etária. A qualidade varia bastante. Os melhores são aqueles que incluem orientações para o professor, não apenas a folha para colorir. Se o material não explicar qual é o objetivo pedagógico de cada atividade, é provável que seja só trabalho para preencher tempo. Eu sempre recomendo que o professor adapte. Pegar uma atividade pronta e ajustar para a realidade da sua sala, com os objetos que você tem disponíveis, é mais produtivo do que seguir um caderno de exercícios cegamente. Crianças aprendem melhor quando o material dialoga com o cotidiano delas. Pedir para classificar objetos "dentro" e "fora" usando os materiais que elas usam na rotina da sala de aula vale mais do que qualquer ficha padronizada com desenhos de animais e caixas genéricas.
O essencial é perceber que noções de posição não se aprendem de uma vez. É um processo que se estende por pelo menos dois ou três anos na educação infantil. O trabalho diário com linguagem posicional durante as rotinas normais — "passe o suco que está à sua esquerda", "coloque o prato embaixo da toalhinha" — tem mais efeito do que qualquer atividade extra isolada. As palavras entram pela oralidade primeiro. A escrita e o desenho vêm depois, e só fazem sentido se a base conceitual já estiver firme.