Citar site pela ABNT no corpo do texto: o que funciona na prática
A NBR 10520:2019 não tem uma norma específica para sites. O que existe é um procedimento de adaptação que a maioria dos orientadores e bancas aceita, mas que gera confusão porque não há um manual oficial detalhado. Vou explicar o que funciona, onde as coisas dão errado, e um problema real que eu tive com isso.
como citar um site no corpo do texto abnt
No corpo do texto, a regra geral segue a mesma lógica das demais fontes: autor, ano e, quando houver, página ou seção. Para sites, os elementos disponíveis são diferentes. Você raramente terá página. Em vez disso, você terá o título da seção, o parágrafo, ou simplesmente nada se a informação estiver misturada num texto corrido sem divisões claras. O formato básico para citação dentro do parágrafo é:
(SOBRENOME, Ano) Se você está citando uma informação direta de uma parte específica, adicione o local. Como a NBR não define "local" para sites, a solução prática mais comum é usar o título da seção entre parênteses após o ano:
(SOBRENOME, Ano, Seção tal) Quando o site não tem autor individual, usa-se o nome da instituição ou organização responsável. Exemplo:
(IBGE, 2023) Se não há autoria alguma identificável — e isso acontece mais do que deveria —, começa-se com uma descrição do conteúdo ou com o título em maiúsculas, seguido do ano e da frase sem data, se aplicável.
Exemplo prático com instituição: Conforme destacado pelo Ministério da Saúde (2022, Vacinação), os calendários atualizados devem ser consultados anualmente...
Exemplo prático sem autor identificado: Segundo o relatório (2021, p. 15), os dados indicam uma redução de 12%... — aqui o "p. 15" é um caso raro em que o site apresenta paginação clara, mas na maioria das vezes você não terá isso.
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O que acontece na vida real quando se tenta citar um site
Me deparei com um problema específico em 2023 que ilustra bem a fragilidade do sistema. Eu estava revisando um artigo que citava um portal de dados abertos de uma prefeitura. O site não tinha autor, não tinha data de publicação visível, e o conteúdo havia sido alterado três vezes entre o momento da consulta e a data de entrega do trabalho. Eu tinha anotado a URL e a data de acesso no meu caderno, mas na hora de montar a referência completa, percebi que a versão do site que eu consultara já não existia mais. A solução que eu adotei foi registrar a data de acesso como parte obrigatória da referência, mesmo sem previsão explícita na norma, e usar o título da página como elemento de identificação no corpo do texto. Na lista de referências, a entrada ficou assim:
TÍTULO DA PÁGINA. Disponível em:
(TÍTULO DA PÁGINA, 2023) O problema é que isso cria uma inconsistência: em fontes impressas, o elemento que aparece na citação interna é sempre o autor. Em sites, às vezes o autor é uma instituição, às vezes é o título, às vezes é nada. Isso gera ambiguidade, especialmente quando dois sites diferentes usam o mesmo título genérico.
Erros comuns que eu vejo repetidamente
O primeiro erro é colocar a URL dentro da citação no corpo do texto. A ABNT nunca pede URL na citação direta. A URL vai apenas na lista de referências, no final do trabalho. Colocar link na frase quebra a fluidez da leitura e é rejeitado por qualquer banca. O segundo erro é inventar um autor. Se o site não tem autor declarado, não se atribui um. Às vezes, o nome de um jornalista aparece no rodapé, mas isso não significa que ele seja o autor do conteúdo institucional do portal. O responsável pela publicação é a entidade que publicou, não necessariamente o redator.
O terceiro erro é confundir a data de publicação com a data de atualização. Muitos sites não deixam isso claro. Um artigo pode ter sido publicado em 2019 e atualizado em 2024. Qual ano usar? Eu costumo usar o ano da última atualização visível, porque é o que o leitor tem acesso. Se não há como determinar, uso o mais recente que consigo encontrar, e anoto a data de acesso na referência.
Sobre a data de acesso
A data de acesso é obrigatória na referência completa, mas não aparece na citação dentro do parágrafo. Isso é importante porque muitos estudantes colocam a data de acesso nos dois lugares, o que não está correto segundo a norma. Na referência: URL + acesso. No corpo: apenas autor e ano. Um detalhe que poucas pessoas sabem: se o site não tem data de publicação, a referência leva a indicação (s.d.) — sem data —, mas isso se aplica à referência, não à citação interna. Na citação, você coloca o ano disponível. Se não houver nenhum ano, usa-se a data de acesso como referência temporal, mas isso é um procedimento de último recurso e depende da aprovação do orientador.
Quando a ABNT tradicional simplesmente não resolve
Existem situações em que a norma falha completamente. Sites dinâmicos, pages que mudam de URL, conteúdo gerado por usuários, feeds e posts de redes sociais — nenhum desses casos tem tratamento específico na NBR 10520:2019. Quando isso acontece, a maioria dos programas de pós-graduação e revistas científicas exige que se adote um critério próprio documentado, ou que se use uma norma complementar como a ISO 690:2021, que é mais flexível para fontes eletrônicas. O risco é que dois avaliadores interpretam essas lacunas de forma diferente. Um pode aceitar a referência com apenas o título e a URL. Outro pode exigir data de acesso, DOI quando disponível, e até capturas de tela como comprovação. Antes de finalizar, confirme com seu orientador qual nível de rigidez ele espera. Isso evita retrabalho na fase final.