O que é composição e decomposição de números
É o processo de entender como os números se montam e se desmontam. Nas séries iniciais, isso aparece principalmente com a decomposição decimal — dividir um número como 47 em 4 dezenas e 7 unidades, ou escrevê-lo como 40 + 7. A composição é o caminho inverso: juntar 40 + 7 para chegar a 47. A maioria dos materiais didáticos brasileiros aborda esse tema no 2º ano do ensino fundamental, e a BNCC traz competências específicas na habilidade EF02MA01, que pede ao aluno que compreenda princípios do sistema de numeração decimal. O problema é que muitos professores e pais tratam o assunto como se fosse apenas uma questão de memorizar regras, quando na prática exige construção real de significado.
Por que composição e decomposição 2 ano costuma travar
Eu já vi criança escrever que 63 = 6 + 3, tratando o algarismo da dezena como se tivesse valor simples. Isso acontece porque o material impresso ou a explicação em sala não deixa claro o que o "6" realmente representa dentro do número. O aluno decora a forma como deve escrever, mas não internalizou o conceito de valor posicional. Um problema real que eu encontrei foi com alunos que sabiam decompor corretamente usando material dourado, mas travavam quando a solicitação vinha apenas em forma escrita. Eles montavam o 58 com as barras e cubinhos perfeitamente, mas na hora de registrar 58 = 50 + 8 simplesmente copiavam o modelo do caderno sem entender. A solução que funcionou foi impedir qualquer registro escrito nas primeiras sessões e exigir que eles verbalizassem cada passo: "eu peguei cinco barras de dez e oito cubinhos, então são cinquenta e oito". A fala funciona como ponte entre o concreto e o simbólico.
Como ensinar na prática
Comece sempre pelo concreto. Material dourado, palitos agrupados, ábaco, até mesmo botões ou tampinhas funcionam. O aluno precisa manusear antes de escrever qualquer coisa. Um erro comum é apresentar a forma escrita (ex: 72 = 70 + 2) antes que a criança tenha construído a ideia de que "7 dezenas" é diferente de "7 unidades". Depois do concreto, avance para o semi-concreto. Desenhe as representações: barras e quadrados no quadro, esquemas que ainda remetem ao material manipulado. Só então chegue ao registro puramente numérico.
Dentro de cada etapa, alterne entre composição e decomposição. Se só trabalhamos decomposição, o aluno aprende a quebrar mas não a reconstruir. Propostas como "forme o número 85 usando apenas barras de dez e cubinhos" forçam a composição. Já "decompose o 85 mostrando quantas dezenas e quantas unidades você usaria" treina o outro sentido. É importante também incluir números com zero no centro, como 305 ou 207. Esses casos geram confusão porque o aluno tende a ignorar a casa vazia. Eu uso a estratégia de pedir que preencham tabelas de valor posicional antes de qualquer decomposição, destacando que a posição do zero tem função: ela segura o lugar.
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Materiais e exercícios
Para quem busca atividades prontas, existem sites como Santillana, Brasil Salta, e o portal do governo com materiais da PNLD disponíveis gratuitamente. O ideal é que os exercícios cubram três níveis: decomposição aditiva (45 = 40 + 5), decomposição multiplicativa (45 = 4 x 10 + 5), e composição a partir de pistas ("tenho 3 grupos de dez e 9 sobrando"). A decomposição multiplicativa costuma ser ensinada mais tarde, mas crianças que já manipularam bem o material dourado conseguem fazer essa transição com apoio visual. Não tenha pressa, mas não adie indefinidamente também.
Erros frequentes e como corrigir
Além do erro de tratar algarismos isoladamente, outro problema recorrente é a confusão entre número e algarismo. O aluno identifica "o cinco" em 53 como sendo cinco, quando na verdade ali ele representa cinquenta. A correção passa por insistir na linguagem: sempre dizer "cinquenta" ao apontar para o 5 na casa das dezenas, nunca apenas "cinco". Um terceiro erro aparece quando o aluno Decompõe corretamente mas não consegue fazer o caminho inverso. Isso indica que a compreensão é fragmentada. O remédio é criar exercícios que alternem as duas operações na mesma lista, forçando o cérebro a alternar entre os dois processos.
Também vale mencionar que algumas crianças com dificuldade de leitura podem ter mais dificuldade em compreender os enunciados do que o conteúdo em si. Nesse caso, o professor deve ler as questões em voz alta e usar apoio visual robusto até que a fluência leitora melhore.
Limitações do método
O ensino tradicional de composição e decomposição tem dois pontos fracos principais. O primeiro é que, se usado de forma mecânica com muitas folhas de exercícios, o aluno pode obter acertos sem aprendizagem real. O segundo é que a transição para números maiores (acima de 999) nem sempre é feita de forma gradual, e o aluno que dominou bem até a centena pode tropeçar nas milhares sem motivo aparente. Se o objetivo é apenas obter respostas corretas em avaliações, exercícios repetitivos resolvem rápido. Se o objetivo é compreensão duradoura, o tempo necessário é maior e exige investimento em manipulação e linguagem. Não háatalho que transforme um mês de prática em dois semanas, embora materiais bem sequenciados possam reduzir esse tempo significativamente.
O que funciona consistentemente é a combinação: concreto, representação pictórica, linguagem oral estruturada e só então o registro simbólico. Qualquer salto nessa sequência gera lacunas que aparecem meses depois, quando o aluno precisa aplicar o conceito em situações novas.