Educação Infantil Natureza E Sociedade - História Da Educação Infantil No Brasil - NAZAEDU
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Como funciona o eixo Natureza e Sociedade na BNCC da Educação Infantil

O eixo Natureza e Sociedade é um dos cinco eixos estruturantes das experiências de aprendizagem na educação infantil, previsto na Base Nacional Curricular Common (BNCC). Ele não é uma disciplina isolada e nem um conteúdo estanque. Ele atravessa toda a proposta pedagógica e organiza como a criança pequena se relaciona com o meio físico, com os seres vivos, com fenômenos naturais e com as práticas sociais que dizem respeito à sustentabilidade e ao cuidado. Na prática, o que isso significa é que cada atividade que envolver observations de plantas, brincadeiras com água, exploração de textura, construção de abrigos, registro de fenômenos climáticos, visita a um quintal ou discussão sobre onde vai o lixo entra no campo desse eixo. O problema é que muitos educadores tratam o assunto como se fosse uma área de conteúdo a ser "passada", quando na verdade se trata de uma forma de organizar a experiência infantil. A criança não aprende sobre natureza de forma cognitiva primeiro e depois emocional. Ela vive tudo junto.

educação infantil natureza e sociedade: o que realmente observar na prática

Um ponto que muita gente perde é que esse eixo não se resume a levar a garotada para fora e deixar que "brinque na terra". Tem um trabalho intencional por trás que é bastante específico. Você precisa observar três camadas simultaneamente: a relação da criança com os materiais naturais, a forma como ela constrói sentido sobre os fenômenos que presencia e a maneira como o grupo socializa essas descobertas. Quando eu estava construindo uma proposta assim para uma creche, me deparei com um problema que não era teórico. Tínhamos uma horta suspensa feita em pallets e a maioria das crianças tinha menos de três anos. O plantio em si funcionou bem durante dois meses. Aí começou a rachar um solo de terra que secava demais no verão e as mudas de tomate morriam todo dia 15, mais ou menos. As crianças ficavam frustradas, mas não tinham vocabulário para expressar isso. Eu simplesmente abandonei a horta suspensa e migrei para canteiros no nível do chão, com terra preta do município, rega guiada por crianças em duplas e espécies mais resistentes como alface e rúcula. O resultado não foi mágico, mas parou de haver mortes em massa de mudas. E, o mais importante, as crianças passaram a acompanhar o ciclo, não só o plantio inicial.

Esse tipo de ajuste é o que separa uma proposta bonita em papel de uma proposta que de fato funciona. A BNCC pede intencionalidade pedagógica. Intencionalidade não quer dizer rigidez. Quer dizer que você decide, observa, ajusta e decide de novo.

Campos de experiência que pertencem ao eixo

O campo de experiência chamado "Traços, sons, cores e formas" dialoga diretamente com Natureza e Sociedade porque a exploração sensorial de materiais naturais, tintas feitas com vegetais, texturas de cascas e folhas, faz parte desse universo. O campo "Escuta, fala, pensamento e imaginação" também se conecta quando a criança narra o que vê, questiona por que chove ou cria histórias a partir de elementos naturais. O campo "Corpo, gestos e movimentos" entra quando há escalada em pequenas elevações, percursos em terrenos irregulares, manipulação de gravetos e pedras. E, claro, o próprio campo "Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações" é onde a criança experimenta cause and effect com materiais naturais. A BNCC organiza tudo isso em competências e objetivos de aprendizagem por faixa etária. Para bebês, o foco é na exploração sensorial de materiais como água, areia, terra e folhas. Para crianças bem pequenas, começa a ganhar importância a experimentação mais sistematizada, mesmo que ainda muito livre. Para crianças menores de cinco anos, o olhar volta-se para questões de preservação, responsabilidade ambiental e participação em práticas de cuidado coletivo.

Como estruturar uma proposta pedagógica baseada nesse eixo

Você não precisa de um projeto fechado para trabalhar Natureza e Sociedade. Mas precisa de intencionalidade clara. Isso se traduz em três passos práticos que eu vejo funcionando há anos: Primeiro, identifique o recurso natural mais disponível na sua região e na sua instituição. Se você mora em área urbana, talvez seja um terreno baldio com vegetação rasteira, uma praça próxima, ou até vasos com plantas na escola. Se for área rural, já tem um campo aberto. A escolha do recurso define tudo. Um recurso acessível e recorrente permite acompanhamento longitudinal. Um recurso distante exige deslocamento constante e logística pesada, o que corta muito da continuidade que a criança precisa para construir significado.

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Segundo, formule perguntas que realmente interestessem o grupo, não perguntas que você acha que deveriam interessar. Eu já vi propostas em que o adulto perguntava "vocês sabem por que as folhas caem no outono?" para crianças de dois anos que nunca tinham observado uma queda de folhas de forma atenta. A pergunta não funcionava porque não havia vivência prévia. Quando eu comecei a substituir perguntas fechadas por observações abertas, como "olhem o que está acontecendo com essas folhas", o engajamento triplicou em poucas semanas. Terceiro, documente de forma útil. Anotações de campo com datas, fotos com contexto, registros de falas das crianças, tudo isso precisa ser organizado para que você consiga olhar para trás e perceber padrões. Sem documentação, você não tem como avaliar se a proposta está funcionando ou se só está passando tempo.

erros comuns que eu vejo todo dia

Um erro frequente é tratar Natureza e Sociedade como algo que se faz em ocasiões especiais. Sai-se para o pátio uma vez por mês, faz-se um trabalho de estações do ano com artesanato e pronto. A criança precisa de contato recorrente, preferencialmente diário ou pelo menos várias vezes por semana, para que o conceito se consolide. Segundo erro é usar materiais artificiais quando o objetivo é explorar materiais naturais. Plástico pintado de verde não substitui uma folha de verdade em termos de experiência sensorial e cognitiva para a criança pequena. Outro erro, que é bem mais sutil, é superestruturar a atividade a ponto de transformar exploração em instrução. Eu vi um professor pedir que todas as crianças classificassem folhas por formato em uma sequência rigidamente cronometrada, com ficha e caneta. Crianças de quatro anos. A criança não estava explorando. Estava seguindo instruções. O resultado foi baixo engajamento e pouca aprendizagem significativa. Quando permiti que elas manuseassem as folhas sem pressão de classificação, a própria criança começou a agrupar por cor, tamanho e textura sozinha. A classificação surgiu naturalmente, não foi imposta.

Link para baixar a matriz de objetivos por faixa etária

A matriz completa dos objetivos de aprendizagem do eixo Natureza e Sociedade está disponível no portal oficial da BNCC. O documento pode ser baixado gratuitamente no endereço https://basenacionalcomum.mec.gov.br, na seção de documentos oficiais. Recomendo baixar a versão em PDF e destacar os objetivos por idade, porque a leitura integral pode ser densa e difícil de aplicar diretamente. Para quem quer algo mais prático, existem coletâneas de atividades elaboradas por secretarias municipais de educação que já organizam experiências por faixa etária dentro desse eixo. A da Prefeitura de São Paulo, por exemplo, tem um material bom sobre exploração de materiais naturais. A da Secretaria de Educação do Rio Grande do Sul também disponibiliza documentos acessíveis. A vantagem desses materiais é que já passam por um crivo técnico. A desvantagem é que muitas vezes não consideram a realidade local de cada escola, então o ajuste fino é necessário.

Limitações reais desse eixo que ninguém sempre conta

Trabalhar Natureza e Sociedade na educação infantil não é uma solução mágica. Existem limitações concretas. A primeira é a questão climática. Em regiões com verões extremamente quentes ou invernos rigorosos, o trabalho ao ar livre fica restrito a certas épocas do ano. A segunda é a segurança. Terrenos irregulares, presença de insetos, plantas tóxicas, acesso a vias de tráfego próximo ao espaço de exploração. Tudo isso exige planejamento logístico que many educadores não têm treinamento para fazer sozinho. Uma terceira limitação é a infraestrutura das próprias escolas. Muitas unidades não têm espaço externo adequado ou têm espaços degradados. Nesse caso, a alternativa mais viável costuma ser criar um canto de exploração natural dentro da sala, com terra, plantas, água, pedras e materiais de coleta, e realizar saídas pontuais quando possível. Não é o ideal, mas funciona. Trabalhar exclusivamente com recursos internos quando a intenção é Natureza e Sociedade tem custo cognitivo alto, porque a criança perde a experiência sensorial completa do ambiente real. Mas é melhor do que não trabalhar o eixo de jeito algum.

O que funciona na minha experiência é combinar pelo menos três tipos de experiência: exploração direta com materiais naturais dentro da escola, visitas regulares a espaços externos próximos e projetos de cuidado com seres vivos, como horta, jardim ou até mesmo de animais pequenos em ambiente controlado. Essa combinação permite que a criança construa uma ideia mais sólida do que é natureza e do que é sua responsabilidade enquanto ser social dentro desse universo.