Exercícios Ligação Iônica - Exercícios Sobre Ligações Iônicas | Ligação Química | Física de Matéria ...
Exercícios Sobre Ligações Iônicas | Ligação Química | Física de Matéria ...

O que você precisa saber antes de praticar ligação iônica

A maioria dos exercícios sobre ligação iônica que os professores passam segue um padrão muito previsível: dar a configuração eletrônica, pedir para escrever a fórmula e desenhar a estrutura de Lewis. Parece simples até você se deparar com um cátion de metal de transição ou um ânion poliatômico que não aparece na tabela periódica básica. Aí a coisa complica rápido.

Como fazer exercícios ligação iônica sem errar nos detalhes

O primeiro passo é saber identificar quem doa e quem recebe elétrons. Metais dos grupos 1, 2 e 13 tendem a perder elétrons e formar cátions. Ametálicos dos grupos 15, 16 e 17 tendem a ganhar e formar ânions. Isso é básico, mas o erro mais comum não está aí. O erro real acontece quando você tenta aplicar a regra do octeto em compostos como NaO e esquece que o sódio perde apenas um elétron enquanto o oxigênio ganha dois. A estequiometria da fórmula depende do balanço de cargas, não de contar elétrons isoladamente. Para escrever a fórmula corretamente, use o método do cruzamento de cargas. O número de Oxidação do cátion vira o subscrito do ânion e vice-versa. Exemplo: Mg² e Cl. O 2 do magnésio vai para o cloro, o 1 do cloro vai para o magnésio. Resultado: MgCl. Se você inverter a lógica, já erra a resposta antes de começar a resolver.

Um detalhe que poucos mencionam: compostos iônicos não existem como moléculas isoladas. Eles formam retículos cristalinos. Quando um exercício pede para representar a ligação iônica, o desenho correto mostra cada íon cercado por íons de carga oposta, não pares isolados de cátion e ânion se tocando. Eu já vi aluno perdido em questão de prova por desenhar o Na ao lado do Cl como se fosse uma molécula de HCl. O retículo é bidimensional ou tridimensional, e a representação deve refletir isso.

Exercícios práticos para fixar o conteúdo

Aqui vão exemplos que cobrem os casos mais cobrados em provas e testes, do mais simples ao mais problemático. Exercício 1: Identifique o tipo de ligação e escreva a fórmula do composto formado por potássio (K, Z=19) e enxofre (S, Z=16).

O potássio está no grupo 1, perde 1 elétron, forma K. O enxofre está no grupo 16, ganha 2 elétrons, forma S². Cruzando as cargas: KS. A ligação é iônica porque há transferência definitiva de elétrons de um metal para um não metal. Exercício 2: Represente a estrutura de Lewis do fluoreto de cálcio (CaF).

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O cálcio (Z=20) perde 2 elétrons ficando Ca² com configuração de gás nobre. Cada flúor (Z=9) ganha 1 elétron, ficando F com octeto completo. O cálcio doa um elétron para cada flúor. Na estrutura de Lewis, Ca² fica sem elétrons de valência representados, e cada F recebe colchetes com 8 pontos e carga negativa. Exercício 3: Qual a fórmula do composto entre alumínio e oxigênio?

Al³ e O². Cruzamento: AlO. Este exercício parece trivial, mas a pegadinha é que muitos alunos escrevem AlO, ignorando o balanceamento de cargas. O composto real é óxido de alumínio, AlO, e ele tem ponto de fusão acima de 2000°C precisamente por causa da forte atração eletrostática no retículo. Exercício 4 (avançado): Explique por que o MgCl tem ligação predominantemente iônica, mas o AlCl apresenta caráter covalente significativo.

Aqui entra o conceito de polarização de cátion. O Al³ é pequeno e carregado, o que gera alta densidade de carga. Segundo as regras de Fajans, cátions pequenos e multicarregados polarizam ânions grandes, distorcendo a nuvem eletrônica e introduzindo caráter covalente. O Mg² é maior e tem menor densidade de carga, então o MgCl permanece essencialmente iônico. Em provas, essa distinção costuma cair como questão de Justificativa ou análise de tendências periódicas.

O erro que todo mundo comete e como evitar

O problema mais frequente nos exercícios de ligação iônica é confundir número de oxidação com valência. Valência é o número de ligações que um átomo pode formar. Número de oxidação é a carga hipotética que o átomo teria se todos os elétrons fossem transferidos. Para metais alcalinos e alcalino-terrosos, os valores coincidem, o que gera confiança falsa. Para elementos como ferro, você pode ter Fe² ou Fe³ dependendo do ânion com que está formando o composto. Sem saber o NOX correto, a fórmula sai errada e não adianta revisar o desenho de Lewis depois. Uma dica prática: quando o exercício não informa o NOX, verifique o ânion. Cloreto é Cl, então FeCl significa ferro +2 e FeCl significa ferro +3. O ânion é fixo, o catião que varia. Isso resolve metade dos erros em compostos com metais de transição.

Quando a ligação iônica não é a resposta certa

Nem todo composto formado entre metal e ametal é iônico. O AlCl que citei acima é o exemplo clássico. Outro é o BeO, onde o berílio é tão pequeno que a ligação ganha caráter covalente importante. A fronteira entre iônico e covalente é definida pela diferença de eletronegatividade, e a regra prática é: diferença maior que 1,7 indica caráter iônico predominante. Abaixo disso, a ligação pode ser polar covalente mesmo entre um metal e um ametal. Para exercícios mais avançados, use a escala de Pauling. Lítio (1,0) e flúor (4,0) dão diferença de 3,0 — ligação iônica pura no papel. Boro (2,0) e flúor (4,0) dão 2,0, ainda alto, mas o BF é covalente molecular porque o boro não cede elétrons, ele compartilha. A eletronegatividade sozinha não decide tudo. A geometria e a capacidade de completar o octeto entram na equação também.

Lista de exercícios para treinar

Para praticar de forma estruturada, recomendo buscar material que cobre progressivamente: identificação de cátions e ânions, escrita de fórmulas, estrutura de Lewis, nomeação de compostos iônicos e análise de propriedades físicas como ponto de fusão e condutividade elétrica. O site do Instituto de Química da USP disponibiliza listas com gabarito, e o Chemistry LibreTexts tem exercícios interativos em inglês que são úteis para quem quer se preparar para provas internacionais. O que mais falta nesses exercícios é a variação de dificuldade. A maioria para no NaCl e no CaO. Pratique também com nitrato de prata, fosfato de sódio e carbonato de cálcio, que envolvem ânions poliatômicos e aparecem com frequência em vestibulares. Aprender a decorar os ânions poliatômicos — NO, SO², PO³, CO², OH — economiza tempo enorme na hora de resolver, porque o erro comum é errar a carga do ânion e comprometendo toda a fórmula.