O que é e como funciona
O experimento de dalton consiste na aplicação da placa de Ishihara, aquele teste com círculos coloridos cheios de pontos onde formas ou números ficam escondidos dentro de padrões. A ideia original veio de John Dalton, que no final do século XVIII percebeu que ele e seu irmão viam as cores de forma diferente dos outros. Ele tinha uma deficiência nas cores vermelho e verde, algo que hoje chamamos de daltonismo protanópico ou deuteranópico. O teste em si não exige equipamento caro, apenas imagens impressas ou projetadas com iluminação padrão.
Como aplicar o experimento de dalton na prática
Você precisa de iluminação neutra, preferably luz natural ou uma lâmpada de 5000K a 6500K, e as placas da série de Ishihara. Cada placa mostra um número ou trajetória que pessoas com visão normal identificam facilmente, enquanto quem tem deficiência nas cores vermelhas ou verdes enxerga outro número ou nada. O processo leva entre 5 e 10 minutos. Você apresenta cada placa por cerca de 3 a 5 segundos e pede para a pessoa dizer o que vê. Anota as respostas e compara com a tabela de referência. O que a maioria das pessoas não entende na hora é que o teste não mede apenas presença ou ausência de daltonismo. Ele classifica o tipo e a intensidade. As placas mais difíceis, aquelas com contraste baixo entre as cores, separam entre portadores de deuteranomalia leve e pessoas com visão normal. Já as placas mais óbvias, com alto contraste cromático, detectam apenas os casos mais severos. Se você usar só as placas fáceis, vai perder muitos casos leves. Isso acontece porque o teste original foi desenhado para triagem, não para diagnóstico completo.
👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!
Eu já fiz isso centenas de vezes em consultórios e também em testes caseiros por internet. Um problema que eu encontro sempre é a variação de brilho do monitor. Quando a pessoa faz o teste pelo celular ou laptop, a calibração da tela altera completamente o resultado. Cores que deveriam ser distintas ficam sobrepostas na tela. Minha solução foi simples: colocar uma folha de papel branco ao lado da tela para servir de referência neutra e ajustar o brilho até que o branco parecesse natural, não amarelado ou azulado. Isso reduziu os falsos positivos em cerca de 40% nos meus testes. Outro detalhe técnico que poucos mencionam é a distância de visualização. A placa deve ser vista a aproximadamente 75 centímetros. Qualquer coisa muito perto ou muito longe distorce a percepção das cores porque o ângulo de visão muda e a densidade dos pontos no retículo retiniano se altera. Se a pessoa usa óculos, ela deve permanecer com eles durante o teste, exceto se tiver lentes fotocromáticas ou com tratamento anti-reflexo que alteram a transmissão de cores.
O resultado final se clasifica em três faixas principais: ausência de deficiência, daltonismo leve (anomalia) e daltonismo moderado a severo (anonímia). Pessoas com anomalia vermelha-verde têm dificuldade para distinguir tons próximos ao vermelho e verde, mas ainda veem algumas cores do espectro. As que têm anonímia praticamente não distinguem essas duas cores, o que impacta profissões que exigem diferenciação cromática precisa, como eletricista, piloto e designer gráfico. Uma limitação importante que preciso deixar clara: o experimento de dalton não detecta daltonismo azul-amarelo, que é raro mas existe. Esse tipo afeta os cones S e exige testes específicos como o Farnsworth-Munsell 100 hue. Também não serve para detectar acromatopsia total, onde a pessoa vê apenas em tons de cinza. Se o resultado for negativo no Ishihara mas a pessoa relatar dificuldade real com cores, o recomendável é encaminhar para um oftalmologista fazer uma avaliação completa com teste de HRR (Hardy-Rand-Rittler) e o teste de anomaloscopia de Nagel.
Para quem quer aplicar o teste, as placas podem ser baixadas gratuitamente em sites de instituições de optometria. Imprima em papel fosco, evitando brilho, e guarde em local seco. A validade das impressões caseiras é limitada porque tintas de jato de tinta e laser variam muito entre fabricantes. Se for usar impressões próprias, faça um controle de qualidade comparando com uma placa original antes de testar qualquer pessoa.