Como funcionam as regras na prática
A nomenclatura dos oxiácidos segue uma lógica simples de sufijos, mas a coisa complica na hora de lembrar quais átomos centrais têm mais de um estado de oxidação possível. A regra básica é: quando o átomo central está no seu maior estado de oxidação, usa-se o sufixo -ico; quando está em um estado inferior, usa-se o sufixo -oso. Só isso. O resto são exceções que você aprende decoreba mesmo. Ak<3>Sufixos e prefixos básicos
Para a maioria dos oxiácidos comuns, você só precisa memorizar dois pares:
- -ico para o maior estado de oxidação do amômido central
- -oso para o estado de oxidação duas unidades abaixo do máximo
Se o átomo central tiver ainda menos estados de oxidação disponíveis, entra o prefixo hipo- antes do sufixo -oso. Esse é o caso mais baixo possível na tabela periódica para a maioria dos não-metais comuns. Por outro lado, se o átomo central puder atingir um estado de oxidação além do "máximo" convencional — o que acontece com halogênios —, usa-se o prefixo per- antes do sufixo -ico.
Nomenclatura dos oxiácidos: a lista que importa
Vou listar os casos mais frequentes porque é aqui que as pessoas erram na prova ou no trabalho de laboratório: HNO ácido nítrico (N no estado +5)
HNO ácido nitroso (N no estado +3) HSO ácido sulfúrico (S no estado +6)
HSO ácido sulfuroso (S no estado +4) HPO ácido fosfórico (P no estado +5)
HClO ácido perclórico (Cl no estado +7) HClO ácido clórico (Cl no estado +5)
👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!
HClO ácido cloroso (Cl no estado +3) HClO ácido hipocloroso (Cl no estado +1)
Repare que o cloro é o caso mais cheio de variantes. É o único comum que pega todo mundo desprevenido porque tem quatro graus possíveis entre +1 e +7. O enxofre só tem dois. O nitrogênio também só tem dois principais. O fósforo nesse conjunto só aparece num estado, então não precisa de sufixo variável.
O problema real que ninguém avisa
O erro mais comum não é decorar o sufixo errado. É confundir o estado de oxidação do átomo central com o número de hidrogênios ionizáveis. Isso parece a mesma coisa às vezes, mas não é. No ácido fosforoso, HPO, o fósforo está no estado +3, mas a nomenclatura oficial é ácido fosforoso — e não ácido fosfórico — mesmo tendo três hidrogênios. O HPO tem apenas dois hidrogênios ionizáveis porque um deles está ligado diretamente ao fósforo, não ao oxigênio. Essa estrutura eu descobri da maneira difícil, numa bancada, quando tentei titular uma solução e o ponto de equivalência não batia com o que eu esperava pra um triprótico. A curva de titulação mostrou claramente dois saltos, não três. A partir daí eu parei de assumir que o número de H na fórmula equivalia ao número de prótons doáveis e sempre verifico a estrutura de Lewis primeiro. Outro detalhe prático: o ácido carbônico, HCO, é um caso particular chato porque ele não existe isolado em condições normais. Ele se decompõe em CO e água com facilidade. Na prática, quando você vê HCO numa lista de oxiácidos, está lidando com uma convenção teórica, não com algo que você vai encontrar num frasco no armário. Isso pode gerar confusão em questões de múltipla escolha que pedem para identificar o oxiácido estável de determinado não-metal.
Um macete que funciona na hora da prova
Se você não consegue decorar todos os estados de oxidação de cor,use uma regra prática baseada na posição do grupo na tabela periódica. Para não-metais dos grupos 15, 16 e 17, o maior estado de oxidação usual corresponde ao número do grupo menos 10. Grupo 15 +5. Grupo 16 +6. Grupo 17 +7. A partir daí, o estado "oso" é simplesmente esse valor menos 2. O estado "hipo-oso" é menos 4. Isso cobre 90% dos casos que aparecem em exercícios e provas do ensino médio e dos primeiros semestres de química universitária. O problema dessa regra é que ela falha feio com fósforo quando consideramos o ácido hipofosforoso, HPO, onde o P está no estado +1. O cálculo do grupo daria +5 para o máximo, menos 4 seria +1, então tecnicamente funciona, mas a nomenclatura do HPO é ácido hipofosforoso e muita gente esquece que ele existe porque raramente aparece nos resumos. Vale a pena anotar separadamente.
O que fazer quando a regra não ajuda
Existem oxiácidos cujos nomes são tradicionais e fogem completamente da padronização IUPAC que eu descrevi. O ácido peroxomonossulfúrico, HSO, também chamado ácido de Marshall, é um exemplo. Ele tem uma ponte de peróxido e o enxofre continua no estado +6, mas o nome não segue o padrão de sufixo baseado no estado de oxidação. Se você estiver lidando com compostos assim em um contexto profissional, melhor consultar uma tabela específica do composto em vez de tentar aplicar a regra geral. Outro ponto onde a nomenclatura falha é com átomos centrais que têm múltiplos isômeros estruturais. O ácido fosforoso e o ácido fosfônico são isômeros, ambos com fórmula HPO, mas estruturas diferentes. Um tem dois OH e um H direto no fósforo; o outro tem um OH e dois H diretos. A nomenclatura por estado de oxidação não distingue esses casos. Se você precisa ser preciso, tem que usar a nomenclatura estrutural ou indicar a connectividade explicitamente. Isso é raro em questões acadêmicas, mas aparece com frequência em artigos de química inorgânica avançada e em fichas de segurança de produtos químicos.
Resumindo: a nomenclatura dos oxiácidos funciona bem para o conjunto padrão de ácidos que você encontra em qualquer curso introdutório. Ela entra em colapso quando você se depara com átomos centrais incomuns, estruturas com pontes de peróxido, ou isômeros de conectividade. Nesses casos, a melhor abordagem é consultar fontes especializadas em vez de tentar forçar a regra geral.