Tdah E Tod Tem Cura - Plataforma ajudará pais a educar crianças com TDAH e TOD - Faculdade de ...
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Sobre tratamento de TDAH e o que funciona na prática

Muita gente pergunta se TDAH tem cura. A resposta curta é não. Não existe cura no sentido de desaparecer completamente. O que existe é manejo, e quando o manejo está bem feito, os sintomas ficam muito mais controlados. Mas é importante entender a diferença entre controle e eliminação.

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O termo TDT ou TOD não é mais usado oficialmente na classificação dos transtornos. Antigamente separávamos em TDAH desatento, hiperativo-impulsivo e combinado. Hoje tudo entra no espectro do TDAH como um único diagnóstico com diferentes apresentações. A questão é: o que funciona quando a pessoa realmente precisa lidar com isso no dia a dia? A primeira coisa que preciso deixar clara é sobre medicação. Estimulantes como metilfenidato e anfetaminas (venvanse, ritalina) são os mais estudados e os que têm maior taxa de resposta. Eles não curam, mas melhoram significativamente a função executiva. O problema é que existem muitas resistências em começar com medicação por medo de vício ou efeitos colaterais. Na prática clínica, o risco de dependência em pacientes tratados corretamente é baixo. O risco de não tratar é muito maior: dificuldade profissional, problemas de relacionamento, baixa autoestima crônica.

O que eu vejo frequentemente sendo ignorado é a parte comportamental. Medicamento ajuda muito, mas sozinho não resolve tudo. Terapia cognitivo-comportamental com foco em habilidades de organização e planejamento é essencial. Eu diria que o combinado medicação mais terapia tem taxa de resposta melhor do que qualquer um isoladamente, e isso é algo que muitos profissionais ainda não comunicam bem aos pacientes. Aqui vai um exemplo específico que encontrei na minha prática e que poucas pessoas consideram. Temos um paciente com TDAH combinado, bem diagnosticado, em medicação adequada. O problema dele não era foco. Era memória de trabalho. Ele conseguia se concentrar, mas esquecia o que estava fazendo no meio do caminho. Remexeu-se tudo, ajuste de dose, troca de medicamento. Nada resolvia. Aí descobrimos que ele tinha um distúrbio do sono não diagnosticado, apneia leve. Tratando a apneia, a memória de trabalho melhorou drasticamente. A medicação passou a funcionar de verdade. Esse é o tipo de coisa que passa despercebida com frequência.

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O outro ponto importante é sobre expectativas. Existem muitos suplementos e abordagens alternativas prometendo cura. Ômega 3 tem alguma evidência, mas o efeito é modesto. Exercício físico ajuda, sim, de forma mensurável. Mas nenhuma dieta especial, nenhuma vitamina milagrosa vai resolver TDAH. O mercado explora isso porque a dor das pessoas é real e constante. Outra nuance que poucos mencionam: TDAH não se manifesta da mesma forma em homens e mulheres. Mulheres frequentemente recebem diagnóstico tardiamente porque a apresentação mais desatenta, sem hiperatividade visível, é mais comum nelas. E quando recebem diagnóstico tarde, a comorbidade com ansiedade e depressão já está instalada, o que complica o tratamento. O diagnóstico em si não trata a ansiedade que veio junto.

Sobre a duração do tratamento: muitos pensam que precisa tomar remédio a vida toda. A verdade é mais complexa. Alguns pacientes, ao desenvolverem estratégias de enfrentamento ao longo dos anos, conseguem reduzir ou até suspender a medicação sob supervisão. Outros continuam precisando. Não existe regra única. O acompanhamento deve ser periódico, com reavaliação a cada seis meses pelo menos. Um detalhe prático que faz diferença: a consistência no horário da medicação. Metilfenidato de liberação prolongada precisa ser tomado de manhã, antes do café da manhã. Se a pessoa toma depois de comer algo pesado, a absorção pode variar consideravelmente. Isso causa flutuações no efeito durante o dia que parecem ser o medicamento funcionando mal, quando na verdade é só a questão da alimentação junto com a dose.

O acompanhamento multidisciplinar é o padrão que realmente funciona. Psiquiatra para ajuste medicamentoso, psicólogo para terapia comportamental, e quando necessário, neuropsicólogo para avaliação cognitiva completa. Nem todo psiquiatra tem familiaridade com TDAH adulto. Nem toda terapia cognitivo-comportamental é adequada para TDAH — o terapeuta precisa conhecer as particularidades executivas do transtorno. Existe também o aspecto social. Muitas pessoas com TDAH não tratado desenvolvem déficits secundários: falta de habilidade social por impulsividade, dificuldade em manter emprego por desorganização, conflitos familiares por esquecimento de compromissos. Esses déficits precisam ser trabalhados separadamente, não melhoram sozinhos com o tratamento do TDAH em si.