Timed Up And Go Tug - Timed Up And Go Test Tug - RETOEDU
Timed Up And Go Test Tug - RETOEDU

O que é o timed up and go tug e por que ele existe

O timed up and go é um teste funcional amplamente usado na reabilitação geriátrica e neurologia. A versão que eu chamo de "tug" surge quando o paciente precisa realizar o teste com uma carga adicional ou um gesto motor intercalado — levantar, caminhar até uma marca no chão, voltar e sentar — enquanto executa uma tarefa simultânea, como segurar um peso, carregar uma bacia de água, ou manter o equilíbrio dos braços estendidos. Isso transforma um teste simples em uma situação muito mais próxima da vida real.

Como medir o timed up and go tug na prática

A execução é direta, mas tem detalhes que fazem diferença no resultado. O paciente começa sentado em uma cadeira padrão, encostado no encosto, braços ao lado do corpo. Ao sinal, ele se levanta, caminha até uma linha marcada a 3 metros de distância, faz uma volta completa, volta ao assento e senta novamente. Acontece com cronômetro. O tempo total é o que importa. No formato tug, adicionamos algo entre esses movimentos. Nos testes que eu pratico, coloco uma caneca com água pela metade para o paciente transportar até a linha e de volta. A água transborda? Anoto. O tempo aumenta? Anoto também. O paciente coloca os braços para trás para compensar o peso? Anoto isso também. Tudo vira dado.

O piso precisa ser firme e antiderrapante. O calçado importa — pedi para o paciente usar os sapatos do dia a dia, nunca descalço, porque a propriocepção muda completamente. O cronômetro deve começar no comando "vá", não quando o paciente se mexe. A diferença entre esses dois pontos pode alterar o registro em cerca de 0,8 segundos em idosos frágeis, e isso afeta a classificação funcional. Os limites de corte mais aceitos na literatura são 12 segundos para adultos mais velhos saudáveis e acima de 20 segundos indicando risco aumentado de quedas. Com a variante tug, esses números sobem, geralmente 15% a 30%, dependendo da carga adicionada. Um paciente que faz o teste básico em 11 segundos pode levar 14 ou 15 segundos com a caneca d'água, e isso já sinaliza comprometimento cognitivo ou de equilíbrio que o teste sozinho não mostrava.

Problema específico que encontrei no campo

Numa clínica de idosos com Parkinson, observei que muitos pacientes completavam o timed up and go tug rapidamente, mas com uma qualidade duvidosa. Eles faziam todo o trajeto arrastando os pés, sem o giro adequado, e chegavam à linha sem realmente parar. O tempo parecia bom. A leitura funcional estava errada. A solução foi simples e mudou tudo: passei uma fita crepe no chão marcando não só a linha de chegada a 3 metros, mas também uma zona de parada obrigatória de 30 centímetros. O paciente precisava pisar com o pé totalmente dentro dessa zona antes de iniciar o giro de retorno. Se o pé atravessasse a zona sem parar, eu cobrava 2 segundos de penalidade no cronômetro. Isso eliminou os tempos inflados artificialmente e mostrou a realidade funcional dos pacientes. Em uma semana, três pacientes que pareciam estar bem classificados foram reclassificados para risco moderado de queda.

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O que o teste não mostra — e onde ele falha

O timed up and go tug é rápido e barato, mas não substitui avaliações mais específicas. Ele não avalia força de membros inferiores de forma isolada, não diferencia deterioração cognitiva de prejuízo motor, e não capta variações na marcha que aparecem apenas em tarefas mais complexas. Pacientes com artrose de quadril podem completar o teste rapidamente por compensação lombar, mascarando uma Limitação real de mobilidade. Também não serve bem para pessoas que usam andador ou caminhão de forma permanente. Nesses casos, a variação com dispositivo assistivo já existe na literatura, mas os tempos de referência mudam e precisam ser ajustados. O ideal é combinar o timed up and go com o Berg Balance Scale ou com testes de velocidade de marcha em dupla tarefa para ter uma visão mais completa.

Passo a passo prático para aplicar o teste

Colete dados básicos primeiro: idade, diagnose principal, uso de dispositivos de marcha, medicações recentes. Registre tudo antes de começar o cronômetro. Meça a distância com trena real, não a olho. Marque com fita crepe ou fita adesiva colorida no chão. Use 3 metros como padrão, a menos que o espaço físico impeça, aí adapte e registre a adaptação.

Escolha a carga tug de acordo com o objetivo clínico. Caneca com água para equilíbrio dinâmico. Bolsa com livros para carga assimétrica. Caixa de materiais para coordenação bimanual. Cada escolha revela algo diferente. Faça dois ensaios antes de cronometrar oficialmente. Isso elimina o efeito de aprendizado e garante que o paciente entendeu o protocolo. A diferença entre o primeiro e o segundo ensaio costuma ser de 1 a 3 segundos em idosos.

Cronometre três tentativas e use a média ou o melhor tempo, dependendo do protocolo da sua instituição. Anote observações qualitativas ao lado do número: tremor, hesitação, necessidade de pausa, suporte visual durante o giro. O timed up and go tug não é perfeito. Ele não resolve problemas clínicos por si só. Mas é uma ferramenta honesta, barata e sensível o suficiente para detectar mudanças que importam no acompanhamento funcional. O segredo está em aplicar com consistência e ler os resultados dentro do contexto clínico correto.